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Maratona Fotográfica

Hoje não falaremos sobre técnicas, equipamentos ou teorias. Mas calma! Não parem de ler ainda. Hoje, gostaria de dividir uma experiência: As 3 fotos abaixo estão concorrendo na Maratona Fotográfica Fnac.

Sábado, dia 27 de setembro, participei da maratona fotográfica organizada pela Fnac Brasil em parceria com a Nikon. Ocorre simultaneamente em diversas cidades do Brasil, com média de 250 fotógrafos amadores participantes em São Paulo mais 100 espalhados em 9 cidades.

Dada a largada por volta das 10h da manhã, este ano partimos da Fnac Paulista rumo à Fnac Pinheiros, onde cada participante entregaria 3 fotos em arquivos digitais direto da câmera.

E lá estávamos, nas mais diversas atitudes, casuais oumaratona_fnac_jatefalei-19 comprometidos, nas mais diversas configurações de equipamentos, entre amigos de longa data, recém adquiridos ou mesmo sozinhos. Perto das 10h30 já estávamos infestando a rua. 250 fotógrafos se espalhavam pela região da Avenida Paulista e adjacentes, um dos locais mais inspiradores de São Paulo, seja você fotógrafo ou não, como já declarou aqui nosso Colunista Eddie Gomes.

maratona_fnac_jatefalei-8Não importa o quão criativo você seja, entre 250 você é só mais um. Você é parte de uma multidão. Enquanto permaneci na região da Paulista, muitas cenas que capturei também foram capturadas por outros, mas isso não interfere. Mesmo com tantos olhares sobre os mesmos personagens, os mesmos objetos, cenas e situações, não podemos esquecer que cada fotógrafo possui um olhar diferente. 250 olhares únicos,  essa é a beleza da fotografia e eu adoraria observar cada foto feita naquele dia!

Piauí. Nascido em Picos, PI. Filho de agricultor e Artesã, conhecido e facilmente encontrado no vão livre do MASP vendendo sua Arte
Piauí.
Nascido em Picos, PI. Filho de Agricultor e Artesã, conhecido e facilmente encontrado no vão livre do MASP vendendo sua Arte

Além do olhar, cada experiência pessoal com certeza também foi única. Gosto de pensar nas ruas como cenários, que se mantém mais ou menos imutáveis, em contraponto às cenas das ruas em constante movimento, são caóticas e imersas numa aparente imprevisibilidade que cria uma sensação de mistério e urgência.

Por isso, os resultados, as fotografias que você leva para casa, registram momentos especiais daquela sua experiência particular, daquele dia específico. Entre todos que cruzaram seu caminho e sua lente, entre cada momento, cada conversa, cada situação, por mais que todos estivessem perseguindo os mesmos prêmios, tenho certeza que cada participante da maratona continuará observando suas fotos daquele dia e se lembrará da experiência e da situação que cercou cada fotografia.

maratona_fnac_jatefalei-7Acredito na fotografia como ferramenta de transformação pessoal, quando você participa de um evento desse tipo, ou simplesmente no dia a dia, cada click proporciona um registro de uma mudança. Conversei com diversas pessoas que nunca teria a oportunidade se eu não me permitisse participar e me envolver com a idéia de caminhar pela rua registrando imagens das cenas e dos personagens do cotidiano, e com certeza de hoje em diante meu olhar sobre as ruas será ainda mais único.

E o mais importante, no final do dia, ainda ganhei o maiormaratona_fnac_jatefalei-1-2 reconhecimento possível, ganhei o reconhecimento da minha família e amigos, com uma foto na geladeira de casa! NENHUM outro participante tem uma foto na geladeira da minha casa! Obrigado mãe, nem preciso mais de prêmios… (mentira, Fnac. Eu quero os prêmios sim!) Torçam por mim, obrigado!

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Inspirações – Mark Cohen e a Fotografia de Rua Intrusiva

A fotografia em sua forma artística é a arte da observação, e não é uma arte nova como já conversamos, lembra? Muitos já vieram antes de nós e muitos virão depois. Por isso, é fundamental para qualquer um que queira desenvolver seu olhar, que observe o que já existe, o que já foi feito, para que a partir daí se desenvolva o novo, o inédito, o pessoal e criativo. Por isso, de tempos em tempos eu quero apresentar as minhas referências. Os meus mestres pessoais que inspiram e direcionam meu olhar.

A forma mais acessível e ao mesmo tempo uma das mais complexas vertentes da fotografia é a Fotografia de Rua. É por onde muitos começam, mesmo que timidamente, e que se desenvolvem ao longo dos anos na técnica e nos conceitos. Nessa vertente, um dos grandes desafios é vencer o receio de sacar sua camera em público, mirar um total desconhecido e captar o momento. Hoje quero mostrar um dos mestres na arte de não se importar, Mark Cohen.

markcohen1Nascido em 1943, começou a fotografar aos 13 anos com uma câmera de brinquedo. Em 1966 abriu um estúdio fotográfico comercial. Foi reconhecido não por seu trabalho em estúdio, mas sim por seu trabalho nas ruas. Vou deixar os detalhes biográficos para o Wikipédia e me ater ao trabalho de Cohen.

maxresdefaultImagine-se andando tranquilamente pela rua, quando um completo desconhecido se aproxima, aponta uma camera e dispara o flash, capturando sua imagem e se afastando da mesma forma como se aproximou. Era assim que Cohen fotografava.

mark-cohen-005Suas imagens são criadas na fluidez das ruas, mas não são criações neutras. Ao se aproximar, Cohen cria um momento único de profundo estranhamento entre o artista e o fotografado. Ele se insere, aparece na imagem mesmo que sem ser visto. Você encontra o artista refletido nos olhares daquelas pessoas.

Mark CohenCohen encara o fotografado da mesma forma como o fotografado encara você. É uma troca atemporal de olhares. Você é transportado sem chance de se desvencilhar daquele momento, você interage com o fotografado da mesma forma como Cohen interagiu. Aqui encontramos uma das características da fotografia que mais me atraem e me intrigam: As consequências de se quebrar as regras.

ja_te_falei_mark_cohen (jumprope- blue sky gallery)Como técnica, a fotografia deve seguir uma série de regras e recomendações para ser realizada com perfeição. Mas é quando as regras são quebradas que as coisas ficam interessantes. O recorte do olhar de Cohen é estranho ao nosso olhar cotidiano. São recortes obcecados de detalhes que passariam totalmente despercebidos em nosso dia a dia.

ja_te_falei_mark_cohen (man flinching - blue sky gallery)Todos nós já nos pegamos andando por aí e reparando em qualquer detalhe do mundo e das pessoas a nossa volta que nos chamava a atenção. Escolhemos não nos aproximar, não interagir e muito menos registrar tais momentos, mas Cohen quebra essa bolha social, muitas vezes de forma desrespeitosa ou inapropriada, mas isso é inerente à arte, não? A coragem de ir além e fazer o que ninguém faria.

Abaixo, seguem alguns links para mais trabalhos de Mark Cohen:

The Guardian sobre Mark Cohen
Galeria Le Bal
Blue Sky Gallery
Artigo por eighteen39 – “I put the camera right into the picture” – Mark Cohen
Artigo por Erick Kim – 14 lessons Mark Cohen thought me about Street Photography