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OS DEZ MANDAMENTOS: DA TV PARA O CINEMA

A Rede Record investe pesado em produções bíblicas que até pouco tempo tinham uma audiência média no Brasil e com pouca expansão mundial de seus produtos. Isso apenas até chegar OS DEZ MANDAMENTOS, uma super produção bíblica que narra uma passagem do antigo testamento da bíblia, a história de Moisés e sua luta pela libertação do povo hebreu sob o domínio do faraó Ramsés. A novela foi um sucesso estrondoso, elevou os pontos de audiência da emissora e tornou-se o maior sucesso do canal desde sua abertura.

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Seguindo os passos de sucesso da Rede Globo, que fundou há muitos anos a Globo Filmes, a emissora do bispo Edir Macedo criou a Record Filmes e, percebendo o sucesso da novela, resolveu transformá-la em um longa-metragem, que estreou ontem nos cinemas e já totalizou 2,5 milhões de ingressos vendidos antecipadamente e colocando o filme na lista dos filmes nacionais mais rentáveis dos últimos dez anos.

O filme mantém, obviamente, a mesma ficha técnica da novela: direção de Alexandre Avancini e escrito por Vivian de Oliveira. O elenco conta com Guilherme Winter protagonizando como Moisés, Sérgio Marone como Ramsés, Camila Rodrigues como Nefertari, Gisele Itiê como Zípora, além de outros nomes conhecidos do público, como Adriana Garambone, Juliana Didone, Rocco Pitanga, Petrônio Gontijo, Luciano Szafir, Denise Del Vecchio, Larissa Maciel, Júlio Oliveira, Gabriela Durlo, Babi Xavier, Carlos Bonow e mais 100 outros atores.

Guilherme Winter como Moises à esquerda e Sergio Marone como Ramsés à direita, em cenas de "Os Dez Mandamentos"
Guilherme Winter como Moises à esquerda e Sergio Marone como Ramsés à direita, em cenas de “Os Dez Mandamentos”

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Os números são impressionantes: R$ 700 mil era o custo de cada capítulo da novela, sendo que ao total foram 150, somando um valor total de R$ 105 milhões de reais. As atrizes, para interpretar as egípcias, rasparam suas cabeças e ao todo usavam 800 perucas de fios naturais, 500 figurantes para as grandes cenas, 10.000 peças de roupas, uma cidade cenográfica com mais de 100 casas egípcias, fora os palácios entre outros detalhes grandiosos.

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A produção está prometendo cenas inéditas, efeitos especiais melhorados e um final diferente do da novela. Porém, a questão que fica é: dá certo reeditar 170 capítulos de 1 hora cada em um filme de apenas 2 horas? São tantas as cenas, tantos personagens, tantos detalhes e acontecimentos da trama que fica difícil compreender este feito e fazer isso dar certo. Essa é a maior dúvida de todos. Quem já conferiu o filme disse que o ritmo frenético da edição praticamente cortou Adriana Garambone do filme, que na novela interpretava Yunet, uma das vilãs principais da trama, condensaram as 10 pragas do Egito em 20 minutos (que na novela duraram em média 60 capítulos), entre outras situações que comprometem no entendimento da história.

Bom, já falamos sobre as qualidades da produção e sobre possíveis problemas. Agora vamos citar um fato curioso: Essa matéria foi escrita ontem, dia 28 de Janeiro de 2016 pela manhã, enquanto o filme estava estreando. Mas por motivos de agendamento de posts de cada coluna do nosso blog, só pude postar nesta sexta. E o que me chamou a atenção nas notícias de ontem foi que a maioria das sessões que estavam “esgotadas”, estavam praticamente vazias de público. O site UOL noticiou que averiguou sessões que estavam lotadas, mas que haviam muitos lugares vagos. Na hora da compra, todos os assentos vendidos, mas ao entrar na sala, mais de 60% dos assentos vagos. Averiguando mais a fundo, descobriram que a Igreja Universal (do qual Edir Macedo, dono da Rede Record faz parte) comprou milhares de ingressos para distribuir para seus fiéis. Mesmo com essa jogada de marketing, o filme não sai da lista dos 10 mais rentáveis do cinema nacional, já que esses ingressos foram vendidos e esse dinheiro entrou para a bilheteria. Mas entrou e sai pelo mesmo bolso – o da produção. Para ler a reportagem da UOL completa, clique AQUI.

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QUE HORAS ELA VOLTA?

O cinema nacional popular se resume a dois formatos: comédias produzidas pela Rede Globo, financiadas através de leis de incentivo à cultura, apoiadas por grandes empresas e sem a ambição de circular pelo mundo; e filmes com o tradicional apelo da desigualdade social, que também produzidos pela Rede Globo, com as mesmas leis de incentivo e patrocínios, mas com ambição de chegar a mais territórios.

Não estou dizendo DE MANEIRA NENHUMA que isso é ruim, até porque eu mesmo adoro MUITOS deles, como “Carandiru”, “Tropa de Elite”, “De Pernas Pro Ar”, “Minha Mãe é uma Peça”, “Confissões de Adolescente”, entre outros – que se fosse citar todos os meus preferidos, o post seria imenso. O que penso sobre isso é que filmes com um apelo diferenciado ou produzidos de uma maneira independente perdem espaço nas salas e acabam passando despercebidos. É o caso de QUE HORAS ELA VOLTA?, recente produção nacional dirigida por Anna Muylaert e estrelada pela apresentadora Regina Casé, que para conseguir estrear no próprio país, precisou passar por festivais no mundo inteiro, onde recebeu muitos prêmios e destacou-se nas críticas positivas.

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Cartazes da produção ao longo do mundo. (Fonte: Divulgação/GloboFilmes)

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QUE HORAS ELA VOLTA? estreou no Brasil em 27 de Agosto de 2015 e narra a história de Val, uma pernambucana que se muda para São Paulo para trabalhar como babá e empregada doméstica de uma família e enviar dinheiro para a filha Jéssica. Porém, treze anos mais tarde, Jéssica muda-se para São Paulo para prestar vestibular e passa a morar com a mãe, na casa dos patrões, mas não admite o modo de vida que a mãe leva e “ultrapassa” os limites impostos pelos patrões.

“Quando eles oferecem alguma coisa deles, é por educação; eles sabem que vamos dizer ‘não’.”

Ao citar Regina Casé acima, risco a palavra “apresentadora” porque é o que esse filme vai fazer com você em relação à Regina. Depois desta maravilhosa obra do cinema, a função de apresentadora – que na minha opinião é muito ruim – é COMPLETAMENTE esquecida e uma nova Regina surge. Imponente, talentosa e um GRANDE atriz. Não é à toa que Regina recebeu o prêmio de Melhor Atriz pelo Festival Sundance e muitos outros prêmios, junto com os que a produção no geral conquistou. Continuando a falar do elenco, temos a patroa interpretada por Karine Teles – talentosíssima – e que recentemente fez uma ponta no início da novela “A Regra do Jogo”; Michel Joelsas, o filho da patroa, que revela uma gostosa química com Regina; Lourenço Mutarelli, o pai passivo e com comportamento estranho perante Jéssica e por fim – com maior destaque que os demais – temos a filha Jéssica, vivida por Camila Márdila, novata para o grande público e que triunfa com Regina nos postos de grandes atrizes.

Camila Márdila e Regina Casé como Jéssica e Val respectivamente, em cena de QUE HORAS ELA VOLTA?
Camila Márdila e Regina Casé como Jéssica e Val respectivamente, em cena de QUE HORAS ELA VOLTA?

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As situações apresentadas no filme são intensas e reais, vividas todos os dias por empregadas domésticas do país inteiro. Qualquer opinião ou citação sobre minha percepção da história não vale perante à dos outros. Esse é o diferencial do filme. A divisão de opiniões do público e sua própria durante a exibição: quem está certo? A filha que impõe novos padrões afim de mudar a vida da mãe ou a patroa, que se sente invadida dentro de sua própria casa?

Para quem ainda não assistiu, o filme está em cartaz em alguns cinemas, mas será exibido pela Rede Globo na segunda-feira dia 11 de Janeiro às 23h00, logo após a série “Ligações Perigosas”.

Fotos e cartazes: Divulgação/Globo Filmes