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Realidade? Isso existe?

Foi o carnaval mais lindo, mas minha escola já passou

Nem todo trajeto é reto e nem o mar é regular. O mundo, visto que é singular e coletivo ao mesmo tempo, não é como era antigamente. Tudo começa como sonhamos, mas nem sempre termina assim. Quando tivermos a ideia desse blog, sonhei que nunca fosse precisar sair, mas hoje infelizmente é meu último post, infelizmente\felizmente, recebi uma carga maior de trabalho e não conseguirei manter minha coluna semanalmente.

Escrever para vocês foi a coisa mais especial da minha vida, eu aprendi muito e a troca que alguns tiveram de me enviar e-mails ou inbox elogiando ou mesmo criticando meus textos foi incrível, porque isso ajudou a me tornar o que sou hoje. Nunca desistirei dos meu sonhos de ter um espaço para minhas loucuras, mas, infelizmente, vou ter que dar uma pausa nele, para o fazer renascer como a fênix, mais poderoso ainda.

Quanto à equipe que formou o blog, eu sou um homem sem palavras, companheiros e amigos para minha vida inteira. O caçula rebeldinho está crescendo, mas o exemplo dele sempre serão vocês, os homens e mulheres que quero ser quando resolver que chegou a hora de sair da Terra do Nunca.

Como no mais perfeito carnaval, minha escola desfilou, foi lindo. Havia cores, amores, a Harmonia era incrível e a Bateria nota 10, mas como dizia o clichê hipster, todo carnaval tem sem fim,  mas eu dedico a você, pessoa que emprestou parte do seu tempo para ler sobre vacinas, leões, mergulhos no escuro, café e inspirações, toda a felicidade que sentir daqui para frente. Porque esse blog foi uma das melhores coisa que já fiz nessa vida.

O meu carnaval acabou, mas sabe qual a vantagem do carnaval?

Ele sempre recomeça.

Um abraço fraternal;

Do seu colunista surreal,

Lucas Ferrer

A vacina

O dia amanheceu estranho para Gabriel, assim que levantou da cama reparou que o céu e os prédios possuíam a mesma cor. Abandonou a janela e caminhou até sua mesa de madeira, raridade naqueles tempos, sentou-se em sua cadeira e disse:

-Bom dia, Jim. O notebook saiu de dentro da mesa. – É o grande dia,hein?

Sem emoção alguma, a voz respondeu.

– Bom dia, Senhor. Segue o relatório da operação de hoje.

– Obrigado, Jim.

– Senhor?

– Sim.

– Os remédios da sua esposa acabam em 6 dias, ainda não há dinheiro na conta para a compra automática.

Aquilo foi um baque. O homem encostou em sua cadeira, sem saber o que fazer, em menos de 6 dias receberia seu salário e compraria os remédios para Mary. Mas mês que vem tudo seria diferente. O mundo será melhor, se tudo der certo na operação de hoje, o último bandido seria preso e a Bastilha inteira vacinada no Big Event.

A vacina criou um mundo sem violência e os poucos “Não-vacinados”, já estavam presos. Só um restava um, ele não era o mais violento, apenas vivia gritando papos sobre liberdade mental e andando sem camisa, mas precisava ser vacinado, ninguém viver sem o controle da vacina. A operação cuidaria facilmente dele.

O “dia do alívio” está próximo. Nem bandido, nem polícia. Em dois dias todos seria vacinados e adequados aos bons costumes. Em no máximo um mês Gabriel precisava ser qualquer outra coisa, menos um policial (o que ele amava fazer e ganhava muito bem por isso). Mas com a vacina, não haveriam mais bandidos ou ilegais para prender, bater, castigar ou matar. Em dois meses Gabriel não receberia seu salário, em dois meses os remédios de Mary não poderiam ser comprados.

-Senhor, esta na hora. A voz metálica o tirou de seu mundo.

– Sim, Jim. Separe minha farda no armário e imprima os relatórios. Vou ler no caminho.

– Sim, senhor.

Vestido para seu último dia como policial entrou em seu carro pelo banco de trás e perdeu uns segundos procurando o endereço na papelada, achou e o disse em voz alta, carro se moveu.

Já em seu destino, um bairro bonito no subúrbio, cumprimentou os colegas que já se encontravam lá e ordenou o início da operação. A porta da casa foi implodida e segundos depois, 50 homens passaram por ela como um trovão, logo atrás Gabriel os seguiu. Ao chegar no quarto casa, Gabriel se deparou com um homem pardo de cabelos negros penteados para trás sentado na cama, como se aguardasse dias por aquele momento. Como se sonhasse em ser vacinado. Ali sentado na cama estava o fim de uma história de 20 anos de trabalho como policial, ali sentado na cama, estava o inicio de uma nova era.

– Senhor… o policial falou educadamente.

-Sim. Respondeu o pardo.

– O senhor esta preso, por um dia, até que seja vacinado durante o Big Event na Bastilha.

– Eu sei, quero ser pedreiro.

O policial concentrado em seu procedimento nem prestou atenção no que aquele homem disse, apenas o algemou e o levou para o carro da polícia. Como aquele era o seu último preso, Gabriel solicitou a um soldado que fosse com seu carro para a Bastilha, ele mesmo acompanharia o criminoso, que não demonstrava tendência nenhuma a reação.

– Senhor? O pardo perguntou.

–  Há quantos anos é policial?

– Vinte, filho. Respondeu com calma, afinal não era uma pergunta ofensiva e o Pardo sabia que depois dele não haveria mais policia e aquele homem estava com os mesmos problemas que ele. O pintor vacinado não pintaria nada tão bom quanto ele. Assim como um policial vacinado, não combateria a violencia. Mas a policia era obsoleta agora.

– Depois do Big Event, você fará oque?

– Serei vacinado, procurarei um emprego e você?

– Virarei pedreiro, não ouviu. Vou precisar mudar de vida, não vai dar para viver como pintor com a minha cabeça sendo controlada.

– Apenas os instintos ruins serão controlados.- O policial já repetiu essa frase mil vezes antes.

– Achei que o fato de sermos racionais, já os controlava. Mas o governo quer tudo certo não é? É o melhor para todos, sermos anulados né? Sermos todos iguais.

– A liberdade precisa de segurança. Você não agredia ninguém, mas seus gritos e pinturas agressivas poderiam gerar desconforto e até mesmo descontrole na população. Atrapalharia a liberdade.

– A liberdade de um povo controlado, certo?

– Sim, certo. A liberdade precisa ser defendida.

– E para isso o governo, retira a minha mente e implanta a deles.

– Não vão implantar uma nova mente em você, apenas a vacina, que o deixará livre para ser o que quiser, menos…

– Livre.

– Hei, por Favor, não me obrigue a quebrar seus dentes.- O policial falou calmo novamente.

– Sim,senhor. Posso perguntar mais coisinhas? De não vacinado para não-vacinado.

– Fala, filho.

– O que vai fazer depois do Big Event. O que você faz a não ser um policial? O que vai fazer com o salário de um qualquer? O que vai fazer quando não puder descontar a sua violência, em quem o governo considera violento.

O policial se irritou, ele tinha total noção do que o Pardo estava falando. Sabia que era real, mas não poderia admitir aquilo, era desrespeito e ele ia pagar. Com um soco forte no estomago, ele respondeu entre os dentes.

– Serei o que quiser.

– Você já é o que quer. E desmaiou devido a um outro soco.

Gabriel chegou a bastilha e entregou o homem aos carcereiros, assinou a papelada, tirou fotos e foi para casa. Em casa, beijou sua mulher ainda na cama devido ao poder dos remédios que tomava e sentou em sua cadeira.

– Jim?

– Senhor, o que deseja?

– Quero saber o que faz um pedreiro, um padeiro e hmmmm, um professor e seus salários e o nível de poder que exercem na sociedade.

– Claro senhor, deseja que eu imprima os relatórios ou ver na tela ?

Após a afirmativa do policial, as tabelas saíram pela impressora e Gabriel começou a analisar. Ele precisava decidir. Observou, revisou, fez as contas e infelizmente não seria impossível manter o padrão de vida assim como seria impossível pagar os remédios, a casa e ser feliz. Ele gostava de ser policial, caçar as pessoas, prender, soltar e ganhava fortuna por isso. Mas o dinheiro só era para importante para manter a sua esposa viva, o que ele mais gostava era o poder. As pessoas o admirando por ser um “não-vacinado” defensor da civilização, a capacidade de definir o melhor para o mundo.

Após virar e mexer os papéis, Gabriel tomou uma decisão. Uma definição do que era o melhor para a sociedade. O Big Event estava próximo e o mundo ficaria muito melhor do que era. O problema é que nesse mundo melhor, não tinha espaço para Gabriel e nem para sua esposa.

– Jim, Ligue para o sargento Miguel, no celular dele, por favor.

– Alô. Miguel?

– Fala Gabriel, tudo bem, policial?

– Vou sentir falta de ser chamado assim…

– Eu tenho Gabriel, Eu também. A única coisa que sei fazer é isso. Estou com medo.

– Se acalme, Miguel! Você vai dar um jeito. Eu sei que vai. Enfim, preciso de sua ajuda. Preciso cobrar aquele favor e te dar um presente. Você ama de verdade ser policial?

– Amo sim senhor, é tudo para mim. Mais do que o senhor pode imaginar.

– Preciso de um bug nas câmeras do presidio, 2 minutos, às 3 da manhã, antes do Big Event.

– Te devo uma e vou fazer, mas posso perguntar o porque?

– Quero resolver umas coisas antes da vacina. E você sabe que essa conversa morre aqui né? Seriamos os dois presos…

– Claro, Gabriel, amanhã as 3. Te vejo por aqui.

– Não você não vai me ver, as câmeras estarão quebradas.

– Sim senhor. Respondeu Miguel rindo.

Eram 10 da noite. Cedo, mas Gabriel resolveu deitar. Amanhã não tem trabalho, não tem ninguém para prender então resolveu acordar mais tarde, para isso tomou um remédio de sono e colocou o despertador para às 12h.

No outro dia quando acordou fez questão de ele mesmo dar os remédios para sua mulher. Limpou sua casa, mudou alguns móveis de lugar e pesquisou mais algumas profissões e odiou tudo de novo. 20 minutos antes do horário combinado chegou a Bastilha, cumprimentou alguns colegas e falou que ia se despedir do local. Os, ainda, companheiros abriram as portas e deixaram ele entrar. Por quinze minutos caminhou entre os presos que estavam dormindo, ele colocou, pessoalmente, metade daqueles homens lá e em algumas horas, a existência deles mantinha sua mulher viva e persegui-los era a razão do seu viver.

Ao chegar na última cela daquele corredor ele parou, ol

hou para dentro, lá estava o pardo. O último preso da face da Terra. Um artista. Observou lentamento o levantar do preso de seu beliche.

– Senhor, tudo bem? Aproveitando as últimas horas de vida?

– Eu não vou morrer, vou trocar de emprego.

– É, se você diz.

Gabriel olha no relógio, agora!

– Eu quero um quadro.

– Han?

– 17/07/1789.

O barulho da cela de abrindo. E o policial ficou parado ali.

– O que você esta fazendo seu maluco? Os presos vão fugir… Por que tá fazendo isso?

– Essa é senha de algumas celas. Quando sair apague a luz.

– Você esta me deixando fugir. Por quê?

–  Questões profissionais.

Lembranças do Futuro

Os faróis iluminavam a velha estrada, como se estivessem voltando no tempo.  Os três homens subiam a montanha em sua curva eterna, as linhas desenhavam no chão o que um dia foi um limite.  Aquele silêncio, aquele caminho que ninguém mais fazia.  Eles retornavam ao universo onde estivera toda a juventude de sua época. Onde está o resto agora, que decisão tomaram na vida?

– Fiquei sabendo que o JP vai fazer outro prédio na cidade.  – O homem magrelo falava enquanto olhava o teto de estrelas do carro conversível.

– Aquele cara merece sucesso, se matava de trabalhar.  – O motorista de barba branca e óculos redondos respondeu com um desinteresse na voz, parecia que ele nem estava presente.

– Ele não passava de um drogado…-  O único ainda com cor nos cabelos sorria enquanto o vento tocava seu rosto e jogava sua longa juba para trás.

Os três homens riram tanto que o motorista entrou na contramão, se houvesse mais alguém ainda naquela montanha, teria sido perigoso. Mas hoje a velha estrada não leva mais a lugar nenhum.  Aquele era o topo do mundo e poucos ainda têm a coragem de voltar lá e ver o que fizeram com eles mesmos. Dói envelhecer e aquele lugar era um espinho no peito apertado.

Após voltar a sua via e se acalmar do ataque de risos e do susto, o motorista coçou a barba e, com um peso na voz, falou como se estivesse transmitindo uma má notícia:

– Todos éramos, acho… Olha só o que fizemos de nossas vidas, somos homens sérios. O Miguel está de terno.

Miguel virou para o motorista com um olhar desafiador, tirou da testa seu cabelo negro como uma noite cheia de estrelas, alargou sua gravata, desfez o laço do pescoço, ergueu a mão e a soltou.

– Se sente mais jovem, Miguel?  – O homem de barba bem branca desafiou-o com um sorriso malicioso.

– Só quando chegarmos ao topo. Usar drogas e olhar as estrelas.

                                                                                              Lembranças do futuro.

Além da Pauta – Último Capítulo

Realmente estava. Sabia muito bem que era impossível chamar reforços, Karina não era regra na corporação, muitos policiais aceitavam propinas para fazer vista grossa para alguns figurões, fazer vista grossa é pouco, muitos aceitavam trabalhar para esses malditos. A detetive tinha apenas um objetivo na vida. Ferrar com todos eles. Mas não adiantava prender os peões, só ia expor sua maior estratégia, Karina passou o tempo todo lá se escondendo, fingindo não estar nem aí para esses cretinos, só pesquisando, investigando para encontrar quem era o cabeça, só para poder corta-la fora. Tire o braço e a cabeça se adapta, tire a cabeça e o corpo cai. O Senador estava ali, parado, seu sorriso tinha o sadismo do Coringa. Fitava a mulher como um tigre que observa sua presa, calmo, quase passivo, ele sabia quando deveria ser cruel, não é a toa que chegou onde chegou. – Cadê a bolsa dela, Zé? – Toma, senador. O Senador toma a bolsa da mão de Zé e vira o objeto de ponta cabeça, maquiagens, celular, um pacote de absorvente, tudo esta no chão,mas o político não se dá por satisfeito. – Eu, sei que você, não ia deixar em outro lugar que não fosse com você, cadê meu dossiê? cadê o pen drive? – Já procurou na roupa dela, Zé? – Não senhor. O senhor mandou não toca na dona, falou que se ela não aceitasse era para trazer pro senhor em bom estado de uso. Os olhos de Karina eram só desespero, ela sabia do que estavam falando e nada podia fazer, estava amarrada e era morte certa se reagisse. A sua única esperança é o rastreador que Luiz  colocou na bolsa dela. Sim, ela sabia e escondeu mais um item no mesmo lugar que ele colocou o gps… aquela costura tinha enganado o Senador até agora, mas ela estava em dúvida, talvez fosse melhor entregar o dossiê para ele e se livrar de ser abusada por aquele urubu. – Muito bem, leva ela lá para baixo, deixa ela amarada me esperando, vai ver ela lembra onde esta o que procuro. – Mas você nem perguntou, por que quer fazer isso? – Eu sei que não vai me contar, então vou procurar em cada centímetro de você. – Eu te falo, não por favor, eu te falo…. – Jura? Hmm então me diga, aonde escondeu meu dossiê? – Com o jornalista, eu sabia que você ia pensar que estaria comigo, eu deixei no porta-luva do carro dele. – E como vou acreditar em você? – É a verdade, pelamordedeus…- Karina tinha lagrimas nos olhos, uma atriz perfeita. – E a onde está o carro?- O senador fala como um monge e age como um assassino, estuprador. – Não sei, mas você pode achar, com certeza… – – Que bom que sabe- Ele olha para o lado- Zé leva ela pro quartinho mesmo assim, essa emoção toda em deixou com tesão…- Zé a levanta de forma abrupta- E depois rastreia o jornalista. Karina fechou os olhos, desejava morrer… por dois momentos tentou prender a respiração e desmaiar, como sabia, era impossível. Zé a conduzia sem nenhuma delicadeza a uma masmorra. Como ele sussurrou no ouvido dela, ninguém ouviria o choramingar de uma cadela ali, a não ser ele, que faria questão de olhar no olho dela o tempo todo. O quarto não era um lugar feio, era branco como um dormitório qualquer, no canto havia uma cômoda com algumas gavetas e do outro lado uma cama. Com certeza ela não era a primeira a ser levada para lá, senão não haveria a cama. Karina só tentava manter a calma, agora de olhos abertos olhava para todo canto em busca de um ponto de fuga… totalmente presa, sem chance, precisava deixar rolar, ia fazer algo. Só não sabia o que. Zé jogou a mulher na cama e desamarrou suas mãos, continuou a segurar a moça com força, Karina até se debateu mas não adiantou. Amarrou a mão dela na cama e com muito esforço tirou sua calça e se despediu com um… – Já volto meu amor, não sai daí. E fechou a porta de ferro. Luiz. As casas começaram a ficarem maiores conforme ele se aproximava do bairro, ela sabia que aquele era o melhor momento para parar carro e ligar para o Julio e conseguir mais informações. – Fala, Boss… Aqui ainda não parou de dar sinal. – Eu sei, mas ela parou de andar né? – Parou… -Sabe o endereço? Porque acho que ela esta em uma casa. – O endereço exato eu não sei, mas a casa é essa, tô te mandando a foto no celular. – Ok, me avisa qualquer coisa, se ela se mexer. – Pode deixar, recebeu? – Recebi. Luiz pegou o celular e viu a visão aérea da mansão, aquilo parecia um palácio e mesmo que chegasse lá seria muito difícil achar a mulher, tinha certeza que pelo menos uns seis quartos a casa tinha e ele não podia errar, não tinha tempo para isso. Seu carro continuava veloz, mas o motorista olhava a calçada em busca da fachada, quase bateu diversas vezes, mas não ligou, apenas seguiu em frente confiando em seu instinto como um animal, um predador. Era assim que ele se sentia, a adrenalina e o ódio que sentia naquele momento faziam ele se sentir forte… capaz de matar e faria isso se fosse necessário, sem dó. Não existia mais aquele jornalista, existia um homem que deseja salvar uma mulher… sua mulher se ela aceitasse. Quando isso acontece, quando alguém mexe com o amor de um homem, nada pode o parar, depois o peso na consciência, agora ele só pensava em eficiência. Ele parou o carro com uma freada brusca, achou a casa, no alto de um morro, para baixo uma ladeira imensa. Reparou que logo na porta havia dois seguranças. Não se impressionou com a pouca quantidade de homens, é um bairro de rico, trazer o exercito para cá só despertaria curiosidade. – Me livro de vocês dois, depois só vai faltar o Capanga e o Senador. No máximo mais um segurança ou funcionário, mas para fazer omelete, a gente tem que quebrar alguns ovos. Farei isso, aguenta Karina! Com uma ideia fixa na cabeça, ele desceu do carro e viu descer lentamente a ladeira. Correu para o outro lado da rua e se escondeu atrás de uma árvore cercada por pedras brancas. Quando tentou entrar nesse cercado pisou em uma que escorregou, ele a pegou- Pode ser útil- Escondido ouviu o som que tanto esperava. Uma explosão e a orquestra de alarmes que dispararam. Os seguranças da casa entraram em alerta, um deles correu para o portão, abriu e os carros batidos foram a última coisa que viu antes dos três dolorosos impactos em sua nuca.  O outro que havia ficado um pouco para trás tentou reagir, mas antes que pudesse tirar sua arma do coldre na cintura, ele tomou um tiro na perna, caído ele sabia o que ia acontecer, aquele cara não estava para paz, aquilo não era um assalto, aquilo era um resgate. O jornalista parecia um gigante para o segurança caído sangrando, o jornalista apenas se aproximou e disse: – Ela está aí? Se falar rápido, eu te machuco menos… Aquele tom de ameaça nunca havia saído da boca do jornalista, mas ele parecia que estava com o demônio no corpo.  O homem de terno apenas balançou a cabeça e sentiu o pesado toque da pedra em seu ouvido… depois o formigar no corpo e dormiu, talvez para sempre. Zé do mato. – Senador, a moça tá no ponto. – Certo, estou descendo. Se ouviu o barulho? – Ouvi sim. Acho que algum filho de madame soltou bomba na rua. – É deve ser. Já vou descendo. Pega o notebook, fica aqui na sala, descobre onde o fofoquinha se esconde. Só me chame quando descobrir e não bata na porta… entre. Ela vai adorar te ver. – Se prefere assim, certo. Zé observa o Senador entrar na cozinha, logo ele ia ouvir pelo menos um gemido, adorava isso. Levantou e foi até uma mesa de centro, onde estava o computador. Naquela momento, teve uma pequena lembrança dele criança aprendendo a usar aquilo, o senador paciente ensinando passo a passo… ele era um privilegiado entre os que foram escravos e devia ao isso senador, que deixou ele ser livre. Abriu o notebook e começou a digitar, concentrado em seu trabalho, não ouviu a porta lentamente abrir.  Conseguiu, o rastreador que estava no Peter respondeu onde o jornalistazinho estava. – Te peguei, de novo. Ele coloca o notebook de lado e se levanta para tirar o celular do bolso. Não tão adaptado com a tecnologia assim, começa a andar enquanto digita o número. Luiz. Ele esta ali é só eu pegar ele pelas costas. Senador. – Olá detetive- Ele disse enquanto tirava suas calças- Seu prêmio por ser uma boa garota chegou, olha aqui! Zé do Mato – O carro esta na Av…. quem foi o idiota que deixou a porta aberta? Luiz. – Você já era, desgraçado. Karina – Me solta, daqui seu porco, seu sujo… Senador. – Você vai gostar, talvez não no começo, mas depois vai gemer gostoso. Zé do Mato – Puta que o Pa… E caiu, totalmente tonto. Não sabia o que tinha atingido ele, não conseguia focar em nada até que… Luiz. – Esta vendo isso aqui? É a sua arma- E a guardou na cintura- Esta vendo isso aqui? É a arma que estava com o corpo estirado no jardim. Então, esse é um bom momento para me falar aonde esta a mulher. Porque eu estou louco para te matar. Karina. – Sai seu nojento, me deixa em paz.- Chutando o homem gorducho que se aproximava sem calça. Senador. – Ai. Vadia! Meu saco. aí aí.. Devia ter mandado prender essas pernas.- Ele se afastou, precisava pegar um ar, aquela tinha doído. O que tornou tudo mais legal. Zé do Mato. – Atira seu bosta, eu não vou falar nada. Não vou entregar o senador, prefiro morrer. Luiz e Zé do Mato. – E você vai.- Ele levantou o homem que só conseguia cambalear, como um bêbado.- Mas antes, porque não ir comigo até a cozinha?- Luiz era um animal, naquela hora tanto fazia matar ou não o desgraçado. Aquele poder estava fazendo Luiz delirar de emoção, em alguns momentos até esquecia o objetivo, só queria machucar o capanga, que já aprontou muitas com ele. Naquele momento ele conheceu o poder de ter uma vida em suas mãos e nunca mais esqueceu. Mais uma pedrada, Luiz adorou usar aquilo, precisava evitar que Zé recobrasse os eixos. Entrando na cozinha com o homem tonto sendo empurrado, ele abriu uma gaveta e depois outra e outra e na quarta achou o que estava procurando. – Gostei disso aqui. É uma faca? Hmm uma peixeira, né Zé? Olhou para o corpo do moribundo apoiado na parede. Não sentiu dó nenhuma, a adrenalina era seu motor, o ódio a gasolina e a vontade de salvar Karina seu objetivo. – A_onde, es_tá a mulher?- Falou enquanto um pequeno corte na mão do capataz, talvez não tão pequeno. – Não vou Fa ahhhhhhhhhhh Para para para! AHHHHHHHHH – Não entendi Zé, oque?

Além da Pauta – O penúltimo capítulo

Mas Luiz não era de por todos os ovos na mesma cesta, ele acreditava que Gabriel faria o possível para não perder sua amiga e parceira no trabalho.  Mas também tinha total noção do perigo que Karina corria, então, só por garantia, colocou mais um rastreador na bolsa dela. O que funcionou, porque o CAPATAZ não deixou nada para trás. Só a conta, mas afinal, como ele mesmo já havia investigado, o bar pertencia ao senador e esse foi mais um vacilo do político ou do capataz, Luiz não sabia quem tinha escolhido o lugar… ambos se achavam acima da lei.

– Júlio, moleque, chegou a hora, confio em você, seja meus olhos e eu te arrumo um estágio melhor.

– Hahah tá me comprando, Boss? Vou cobrar! Suave não vou perder sua donzela em perigo. Estamos de olho, quando o sinal parar e eu perceber que não é farol te aviso.

– Beleza.

E desligou o telefone. A vida de Karina agora estava nas mãos de um policial, que só ela confiava, e de um pivete, nerd mas
que ele confiava. Só restava ao jornalista esperar e ele não gostava disso.

1 Hora depois.

Gabriel

– Luiz, perdi o sinal, não sei o que aconteceu?!

– O quê? Você tá falando que não tá mais com a Karina?!

– Exatamente, ele deve ter descobrido ou entrado em algum lugar onde o nosso rastreador não pega direito. O sinal aparece às vezes… vou mandar o último endereço que registrei por SMS.  Vou solicitar uma equipe da polícia, para ir buscar …

– Não, tá maluco! Na hora em que você pedir ela morre, a polícia é toda desse bandido. Ela tá pela gente. Tô indo para lá e me avisa alguma mudança.

– DROGA, vai para lá já então!

Luiz.

Ele lê o endereço no celular…

– Hã? Nesse bairro? Karina, pelamordequalquerDeus…. só sobreviva.  Arremessando o celular no banco, ele ligou o carro e acelerou na direção do Bairro que ele conhecia muito bem… Todas as celebridades tinha casinhas ali, casinhas não, verdadeiras mansões que mais pareciam castelos medievais de tão cheias de seguranças que são. Invadir uma favela armado de uma vara de pescar seria muito mais fácil do que achar o bandido naquele bairro.

Só no meio do caminho Luiz se tocou que Júlio ainda não havia ligado para ele, o que era bem estranho, pois em tese o rastreador da bolsa era para ser o primeiro a ser desligado ou jogado fora. É insanidade pensar, mas pelo jeito o Zé do Mato queria algo que ela guardava na bolsa, Luiz só não sabia o que… e pelo jeito Zé do Mato também não. Para Luiz ficou óbvio que só uma pessoa saberia o que é … O senador também estava lá. Pode parecer cruel, mas o jornalista achou aquilo perfeito, quando olhou para o lado e viu a única arma que sabia manusear, sua câmera.

– Agora eu te pego Senador. E se machucar a policial, não vai sobrar nada seu para ser julgado…

Karina

– Idiota, me solta! Vai devagar, filho da puta. Tá me levando para onde?

Zé do Mato nem se preocupou em colocar uma venda nos olhos dela, levou-a voando na sua picape para uma das casas do seu “chefe”. O bairro era lindo e cheio de mansões, nunca que iriam pensar que ali estava acontecendo um sequestro e, nem que desconfiassem, ninguém seria idiota o bastante para denunciar o dono daquela casa e, se fosse, além da polícia não vir, ia ganhar uma visitinha do Zé, só para perder os olhos.

– Para onde tá me levando, vai me matar?

– Não fica com medo não, meu amor, tem uma pessoa que quer conversar com você, mas de jeitinho né. Eu tentei pegar leve, te ofereci um financeiro bom. Mas você não quis, quis dar uma de Polícia Boa, policial direita. Agora só aceita a consequência e cala a boca se não vou quebrar teus dentes.

Karina, como não é idiota obedeceu, só restava isso, sabia dos riscos que corria e calou sua boca.  Ela olhou para frente, ainda era puxada pelo quintal que parecia imenso, avistou a casa branca como neve e na porta estava lá, ele, o homem que ela mais queria ver atrás das grades, o homem que ela desejava, se possível, jogar na cadeia pessoalmente, sorrindo de braços abertos.

Seu último pensamento antes de passar aquela porta foi:

– Tô ferrada. Luiz, se você não aparecer… eu tô morta!

Confira na semana que vem o último capítulo da história!

Aqui nesse mesmo canal, ops, nesse mesmo blog. Valeu.

 

Arte Urbana: Um rolê surreal na Choque Cultural

Eram 11 horas da manhã, meu fotógrafo estava atrasado de novo. O calor era de matar na zona leste de São Paulo de onde partimos para a galeria Choque Cultural para prestigiar a exposição “De dentro para Fora” que começou no sábado passado, dia 17 de janeiro, e apresenta fotografias, instalações, pinturas que convergem tanto para a fine art das galerias, como para as ruas.

Essa é a segunda edição da exposição que já havia sido apresentada em 2011 no MASP. Dessa vez está na galeria, muito bem localizada, na rua Medeiro de Albuquerque, 250, na Vila Madalena e conta com a participação de artistas renomados, como o argentino TEC, o Matias Picon, Daniel Melim e o coletivo Bjari. A mostra tem como objetivo, de acordo com o curador Baixo Ribeiro, “discutir a permeabilidade da galeria para a rua e da rua para as pessoas”.

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Ao chegar no local, logo na fachada, temos a desconstrução de um carro inundado por plantas. A obra do coletivo Bijari, colocada no meio de uma cidade como São Paulo, dá a impressão de que pelo menos essa batalha as plantas venceram, além da nova pintura insana da própria galeria que já é uma obra “à parte”. Na galeria, em uma sexta, dia de trabalho… estava vazia, nos deparamos com um mural do Jaca que mostra a cidade através de um viés diferenciado e bem próprio, cheio de detalhes e cores, que depois percebi serem característiscas de sua obra. Foi impossível não ficar um bom tempo olhando para ele e buscando itens que não achei na primeira batida de olho. Na sala, logo à direita, encontramos um quadro do Tec e um mural com um estilo mais agressivo, gritando protestos, indiretamente brincando com a palavra opressão e Press (mídia em inglês) lindo, agressivo, muito coisa a dizer… BEM RUA, afinal, é isso que a CC propõe.

Dando a volta pela agradável casa, passamos pelo trabalho do artista Matias Picon, seus animais misturados, feitos de extensil, são muito incríveis, você fica analisando o material até a achar a última camada que ele produz, complexo e detalhista, para quem adora extensil, como esse que vos fala, maravilhoso, dou destaque ao Macaco que está em uma janela nos fundos, isso além de outras obras do Jaca e algumas miniaturas lindas em gavetas e, na “brincadeira” de fazer caber o mundo na gaveta, achei uma nave espacial e algumas estrelas… Ets, estrelas … me ganhou, queria levar para casa.


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Para pedir permissão para fotografar, voltamos ao salão que considero que seja o principal e, fomos atendidos pela Mari, a jovem MUIITOO prestativa, parecia parte da exposição com suas tatuagens, quando encostava na parede virava parte do contexto. Depois de liberar as fotos, nos conduziu a uma interferência do artista TEC, o cara é um mito dos grandes murais, fez um peixe vermelho, que acredito que seja uma carpa, em uma rua que, de acordo com ela, às vezes alaga. Uma piada sarcástica e perfeita.

Confiram a exposição, a Choque Cultural,e a carreira dos artistas que estão expostos, tudo lá realiza com quase perfeição a proposta da mostra e atinge a todos com o material exposto. Além disso, recomendo também, já que está por lá e na vibe do grafitte e arte de rua, a visitar o Beco do Batman e outros para curtir também. Não vão se arrepender. A exposição está linda o lugar é foda, então é imperdível. Confiram!


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Segue o serviço:

Abertura para convidados: dia 17/01, sábado, das 11h às 16h.

Período expositivo: de 18 de janeiro a 7 de março.

Rua Medeiros de Albuquerque 250, Vila Madalena.

Telefone: (11) 3061-4051.

Horário de funcionamento: de terça-feira a sábado, das 11h às 18h.

www.choquecultural.com.br

Além da Pauta VII

Karina.

A detetive volta para o banho, não há nada que possa fazer. Sua cabeça está viajando por todos os pensamentos possíveis, em parte deles ela é sequestrada e assassinada pessoalmente pelo capanga do senador, em outros ela prende o capanga e o senador e ainda é promovida.  A água ajuda a se acalmar, Karina se entrega a corrente forte da ducha e deixa as coisas passarem um pouco. Decidir se vai sozinha agora ou daqui a 5 minutos, quando sair do banho não vai mudar o fato de que esta ferrada. O capanga não da ponto sem nó e com certeza, ela estava indo para uma cilada.

Com muita sorte ele a ameaçaria e iria embora. Com muita muita sorte ele deixaria escapar algo e ela estaria lá pronta, para se aproveitar de uma escorregada sequer com seu  microgravador em formato de botão de camisa.  Com muito azar ele a sequestraria e faria uma troca com os superiores, o fim das investigações pela detetive. Com muito muito azar ela seria assassinada com um tiro nas costas e se tornaria estatística nas mãos daquele maldito. Enfim, era hora de sair do banho e Karina já sabia o que ia fazer.

A mulher enrolada na toalha vai para o quarto, coloca uma camiseta regata branca, uma calça confortável e vai para a sala e encontra com o jornalista distraído zappeando a televisão.

– Luiz, recebi uma ligação do Zé Mato- Ela tenta fingir calma, falando como se tivesse recebido uma ligação de sua avó.

– Como é que é? De quem?  Ta falando sério? – Luiz, por sua vez, nem tenta disfarçar nada. Ele tem total noção do perigo que aquele telefonema representa, afinal ele não esqueceu a surra que levou.

– Você entendeu, não preciso repetir! Ele quer me ver amanhã, no Xingu às 17 horas. Sozinha, óbvio.

Luiz baixou o tom, sabia que a detetive não iria deixar de ir e apenas perguntou:

– Qual é o plano, vai levar uma equipe de policiais com você? Não esta pensando em realmente ir lá sozinha, né?

– Se eu levar uma equipe de policiais e não arranjar nada, é tempo perdido além de chamar muita atenção. Agora se eu for sozinha posso conseguir as provas que preciso para prender esse maldito por um bilhão de motivos.  O arrombamento da sua casa, vai ser ficha perto da “ficha” dele.

– Nem Fo… Você vai sozinha, ta usando o que mulher? Você ta pedindo para ser sequestrada, assassinada, sei lá. Ta pedindo para morrer Karina… Se você se arriscar e for pega, ninguém nunca vai prender o Zé do Mato, muito menos o senador.  E por mais que eu queira ajudar, minhas investigações, pouco servirão se uma policial não for com a algema e pegar os caras.

– Eu sei por disso, acha que eu sou idiota? Acha que eu não sei medir os riscos? Em 5 minutos de banho, pensei em toda a lenga que voce ta falando aqui. Apenas me escuta por um minuto, eu tenho um plano.

—- No dia seguinte—–

Luiz.

A experiência já havia feito o jornalista aprender a andar disfarçado, não era mais um problema para ele, se maquiar e em uma ou duas horas de trabalho nem parecer o homem que agora se olhava no espelho. Ele estava nervoso, o plano da detetive era suicídio, era loucura. Todas as tentativas de refuta-lo ou mesmo de criar outro foram rechaçadas ou simplesmente ignoradas, ele foi obrigado a aceitar, já estava nessa até o pescoço e queria ver, mais do que o próprio senador, o Zé Mato preso.

No horário combinado Luiz estaciona o carro do outro lado da rua do bar, um pouco para tras da entrada mas com uma vista privilegiada. Agora só restava para ele, esperar no carro. E nem para ser o Peter, de acordo com a detetive ele ia “dar na cara”.

– 5 horas, o maldito ainda não chegou… Nem ela, o que ta acontecendo?- Luiz falou sozinho no carro, sendo hiperprotetor, porque até aquele momento não havia passado nem um minuto do horário combinado.

Às 17h5, Karina chega no bar com seu carrinho, deixa ele no vallet e procura uma cadeira para sentar. Por um misero segundo Luiz viu ela o procurar com o olhar, com certeza não achou, o jornalista estava invisível e se fosse visto seria irreconhecível. Ela achou uma mesa na calçada e pediu um guaraná, a mulher estava visivelmente ansiosa, Luiz, odiava esse plano exatamente por isso, porque ele colocava ela exatamente onde Zé Mato queria… Falando em Zé Mato.

O bandido aparece na esquina, aparentemente sem carro, mancando da perna esquerda.

– Esse jeito de andar não é o dele, algo machucou a perna dele, o que ta acontecendo?

O capanga visualiza a mulher e coloca um meio sorriso na boca, Luiz já imagina as atrocidades que ele estava pensando. Tentando focar na sua parte ele saca sua camera e começa seu trabalho. Uma, duas ele sentando na mesa da mulher e educadamente tirando o chapéu. Essas fotos dariam um filme de tão seguidas que estavam, mas era o melhor modo de trabalhar, Luiz não ia perder nem um detalhe.

Karina.

– Olá Dona… – O som vinha de trás, aquela voz asquerosa, carregada com o se nada de bom pudesse vir daquela boca.- Posso sentar??-.

– Foi você que me trouxe aqui, senta e fala o que quer… Não tenho tempo para ficar de papo com bandido.

– Nervosinha, já disse que adoro amansar fera, você sabe né? Ainda te pego de jeito Dona, se vai ver ÔÔ se vou vai! E vai gostar! – Zé Mato ria muito com o  tom de desafio. Era exatamente o que ele queria.

– Vai se danar, seu sujo! Vai me passar a mensagem ou não?

– AÔ, se acalme gostosa, tome seu guarana. Aproveite o encontro gostoso que estamos tendo aqui. Bar bonito cheio de granfino. Tenho certeza que você gostou, foi o próprio chefe que escolheu esse lugar… Se não me engano, o bar é dele.

– Se você não tem nada a dizer, eu vou embora. – Karina pega sua bolsa e ameaça se levantar, tão rapido quanto um bote, Zé Mato segura seu braço e senta ela com força na cadeira.

– Você vai ficar e ouvir o que eu tenho para falar.- Karina tremia e olhava o capataz nos olhos, a adrenalina a mil dava muita coragem. – O senador quer fazer uma proposta, ele quer te dar 5 milhões de reais e uma promoção na PF em troca de que você tire umas férias e abandone um certo , trabalho.  Ele falou que se voce aceitasse, até deixava a piveta fujona para você criar.- Karina prestava a atenção em tudo, ela já gravara  e arranjou provas para incriminar o senador por obrigar o trabalho escravo. Mas não dava para virar as costas, aceitar a proposta ia dar na cara que ela tinha conseguido o que queria então respondeu:

– Manda ele por o burro na sombra, não vou parar e logo ele vai ver o sol nascer quadrado.- Desafia a detetive, até agora, tudo nos planos.

Surpreendentemente, Zé Mato ri da resposta pega seu celular e liga para seu patrão.

– Chefe, ele fez exatamente o que pensei que faria… Pode fazer o que o patrão mandou?…

– FAÇA!  A voz metálica respondeu. – Ele desliga o telefone e se vira para a mulher. – Olha Dona, eu tentei, mas você não colabora, eu tenho uma arma debaixo da mesa, ela ta apontada para o meio das suas pernas, se você não quiser tomar um tiro, vai agir conforme eu falo. Primeiro: Abre a bolsa e me mostra o que tem… sei que você não anda armada mas é bom conferir… Segundo: – O capanga pega o copo de guaraná da mesa e ataca o liquido na camisa da Detetive. – Se tinha um gravador aí, já era e agora você vai vir comigo. Vamos dar um passeio, bem divertido, Gostosa, se vai gostar, eu prometo.

LUIZ

– Caraiii… O que foi isso? Ele tacou guaraná nela? Filho da mãe, zuou o gravador.-  Do carro Luiz apenas observa a detetive abrindo a bolsa e mostrando para o bandido, ele observa com calma, mas ódio no olhar. Depois, os dois levantam e ele sai com ela, sem pagar a conta nem nada, pelo braço.  Karina, sabia o que ia acontecer, já havia avisado Luiz. O gravador já era, mas o GPS, estava bem mais escondido.

Quase em desespero Luiz pega o celular e liga para o Gabriel:

– Tudo conforme o plano, começa a rastrear!

– Chá comigo, do meu olho ela não escapa.

– Espero, de verdade, senão… A gente só vai encontrar ela morta. Confio em você e, ela também! Fala Luiz, ao telefone.

– Não vou decepcionar- E desliga o telefone.

 

 

Além da Pauta VI

– A outra é do Zé Mato!  Esse cara precisa aprender a usar luvas! Disse ao telefone, Gabriel, inconformado com a quase pretensão do capataz em não se encobrir.

– Ele não precisa se esconder, ele trabalha para o dono do mundo! Talvez ele queira até aparecer, mostrar que tá sabendo de algo. Eu só não sei até onde ele sabe. – Respondeu Karina.

– Faz sentido. Hmm precisa de mim para mais alguma coisa? – Gabriel.

– Não, não preciso. Muito obrigado pela ajuda.

– Conte comigo, querida. A gente pega ele, tem deixado muitas provas, um dia a gente pega ele. Tchau. – Gabriel desliga o telefone.

– Eu quero ele agora, eu quero esse desgraçado de colarinho branco e o filhote de rinoceronte dele A…

– Karina? – A voz cheia de sono de Luiz envolve o ambiente. Durante a ligação, a policial havia esquecido de seu hóspede e agora olhava para ele. Ele não era mais um jovem,  mas não era um cara velho também, seu físico ainda estava bem “em cima”, reparou a detetive enquanto observava o jornalista só de shorts.

– A desculpe Luiz- Ela larga o telefone –  só estou irritada, você entende, né?  Esse trabalho ainda vai me matar de estresse.

– Se for de nervosismo ainda tá bom! – Responde Luiz meio sarcástico – E aí, qual o resultado das investigações? O policial conseguiu algo?

– Você não imagina o quanto amo suas piadas. – Responde Karina, bem irritada – Mas saíram os resultados, foram encontradas duas digitais diferentes em sua casa. Uma, obviamente, é tua. Mas a outra é do Zé Mato, que você já conhece bem.

– Eu sabia, aquele filho de uma…, ele vai me pagar. Ele vai ter o que merece! Aquele acéfalo deixou provas  e juro pela minha amada profissão que eu vou meter aquele maluco na cadeia. – Eu juro que vou me vingar de tudo o que ele fez com minha vida. Você, mulher, se conseguir pegá-lo antes de mim, aplique a lei, porque se eu chegar antes… Não vai sobrar muito para o judiciário.

– Hey machão, se acalma…  Devo lembrar o motivo que você está aqui? Na minha casa? Ou você é esperto o bastante para se manter fora de encrenca para não ferrar com tudo?

Luiz ficou quieto, ele sabia muito bem que só estava lá porque se tivesse ficado no ap, essa hora podia estar bem morto. O senador era um intocável e sua cria, por achar que era querido pelo senador, também achava que era o Cara. Coitado dele, não vale nada. Luiz sabe que os chefes entregam esses caras aos crocodilos para se livrarem.  É quase o normal… Apesar que ela nunca tinha lidado com isso, afinal, deu tudo errado para ele.

– Eu sei o porque tô aqui, mas ficar parado não vai adiantar, precisamos pegar esse cara, não temos provas suficientes? O sangue, as digitais, nada disso importa? – Indagou Luiz, quase desesperado pela resposta.

– Em um caso “normal” sim, mas com as costas largas que ele tem é impossível reunir provas o bastante. Para irmos ao tribunal, temos que lutar  e chegar lá munidos.

–  Não dar opção para eles pode ser uma boa ideia e me permite acertar umas contas….

– Enfim, vamos tentar relaxar um pouco… Quer café? – Karina oferece para o jornalista.

– Eu aceito, espero que faça direito. Você sabe o relacionamento entre Jornalistas e o Café.

– Sei, vocês sempre mentem a favor de quem produz toneladas dele. Luiz se ofendeu com a piada, mas preferiu deixar quieto e seu último pensamento antes do energizante e delicioso café foi:- Estamos quites.

Enquanto tomam café, os dois batem um papo ameno evitando ao máximo tocar no assunto que justifica a presença da “parceria” deles. Às vezes quando se está em um beco, como eles estão, cheio de provas mas nenhum poder de ataque, o melhor é relaxar a mente. Luiz sabia o que era isso, achou que por ser da mídia era o poder em pessoa, denunciou o senador uma vez e o resultado é a vida de bosta que ele tava levando, até que ela apareceu e deu um restart nas esperanças e ânimo do jornalista.

Como o planejado, o café fez bem para o jornalista, ele já estava pronto para outra e aproveitou o bom humor para pedir o telefone emprestado e falar com Julio para ver se houve algum avanço na pesquisa que ele pediu enquanto a detetive toma banho.

– E aí, Nerd. O que você tem para mim?

– Fala, Boss, Beleza?

– Tudo certo. E aí? – O jornalista insiste.

– Hmm. Uma pessoa normal, chefe, multas de trânsito, dívida pequena com o cartão de crédito, bem comum, exceto pela carreira. Ela entrou para a PM cedo, foi pouco para a rua, pouco mesmo, era responsável pela produção de relatórios, o que provavelmente deu tempo para ela estudar e virar Federal. Cuidado com isso viu, Boss. Os caras são grandes. – Relata o garoto, com o orgulho de mostrar que fez uma boa pesquisa, apesar dos decepcionantes resultados.

– Esperava algo especial… mas tá bom, fique ligado. Eu volto a ligar, ok? – Conclui Luiz.

– Beleza, deixa eu fazer uma pergunta? – Julio era a curiosidade em pessoa.

– 10 segundos- Responde o jornalista, meio mal humorado. Ele odiava responder perguntas diretas.

– Porque tá investigando a filha do Neto? – Vai entrar para a diretoria, é?

– Ohhh Nerd, olha o respeito aí moleque! Luiz respondeu extremamente irritado. – Na hora certa você vai saber.

– Se você diz, vou me manter alerta. Qualquer novidade te conto. Abraços Boss.  – E desligou.

Karina.

Antes de ir para o banho, Karina pegou sua bolsa, sem nenhum motivo aparente, apenas teve essa intuição de levar a bolsa para o banheiro e o fez. Antes tivesse não se ouvido,  porque o celular tocou.

– Caramba, nem no meio do banho eu tenho paz? – Xingando o celular que tocava insistentemente, obrigando a detetive a secar pelo menos as mãos e pegá-lo. Ao olhar para o visor, leu “chamada particular”, isso a arrepiou dos pés a cabeça, quem poderia ser?

– Alô?

– Alou, querida. Tudo bem? – A voz era totalmente desconhecida para ela.

– Quem é ? Com quem quer falar?

– Corre tanto atrás de mim e não reconhece minha voz. Já tive que enfrentar detetives melhores….

Mais uma vez aquele arrepio, agora ela já sabia quem era, apenas três homens teriam coragem de falar daquele jeito com ela, um estava na sala de sua casa, o outro no senado e o terceiro… aquele desgraçado do Zé Mato podia estar em qualquer lugar.

– Eu, vou te pegar, você sabe disso. – Respondeu fingindo confiança.

– Hmm, adoro quando me agarram, mulheres fortes… Delícia, ainda vou te domar.

– Seu filho de uma … O que você quer?

– Passar uma mensagem. Mas não vai ser por telefone, não. Você pode tá me gravando. Me encontra na Bar Xingu, às 17 horas, amanhã. Vá sozinha, deixe o palhaço em qualquer lugar.

– E o que assegura que você não vai me matar, sequestrar ou qualquer coisa para se safar?

– NADA! – e desligou o telefone.

 

 

 

Promessas de ano novo?

Gosto de fazer promessas no começo do ano, de verdade, gosto muito de prometer coisas impossíveis que eu sei que não vou cumprir por qualquer motivo – seja ele falta de força de vontade ou incapacidade mesmo. Como em Alice, do Tim Burton, todo começo de ano imagino 6 coisas impossíveis para realizar até o início do próximo ano. Isso deveria ser um exercício diário, que ampliaria meus horizontes infinitamente, maass… Não dá, né?

Por isso resolvi aqui, na frente de todos vocês, fazer as minhas 6 promessas impossíveis e ver no final deste ano se, por algum momento, eu transformei impossibilidade em fato. As promessas abaixo são pessoais, por isso, em alguns casos, aparecerão coisas que vocês consideram fáceis, mas para mim é tenso demais, afinal somos humanos e, como humanos, somos universos diferentes (isso gera outro post!).

Quanto ao Além da Pauta… Ele volta semana que vem 🙂

1.  Aprender a cozinhar de verdade:

Cozinha

Chega de tapioca e batata assada no micro-ondas, quero aprender a cozinhar de verdade – tipo arroz, feijão mesmo, sabe?
Ah Lucas, isso é fácil! Fale por você! Comida é um negócio importante e já faz uns 5 anos que prometo que até o fim do ano vou destruir na cozinha… Todo ano apareço com o mesmo resultado: FAIL.

2. Tornar promessas de fim de curso universitário reais e obrigatórias:

Formatura

A cada quatro anos, um grupo de pessoas aprende uma profissão importante e faz uma linda promessa cheia de pompa e elegância. No final, nem 10% cumpre. Meu desejo de fim de ano é torná-las reais, o mundo beiraria à perfeição.

3. Ler todos os livros que quero:

Livros

Só na minha estante tem uns 30 e eu trabalho com livros, então mil livros do trampo entram na frente deles. Vai ser difícil conseguir.

4. Criar algo que ninguém criou:

Criação

Afinal, lista de promessas qualquer um faz.

5. Conectar-me à Matrix e poder sair dela quando quiser:

Neo

Por quê? Porque eu seria o Neo.

6. Viver sem estresse em São Paulo:

tRANSITO

Eu amo esse lugar, mas manter a paz aqui nem budista consegue.

Guardarei essa lista até o final do ano e, a cada item completado, publicarei aqui. O desafio está lançado! Vamos ver até onde eu chego…

chale

Uma súplica para o Ano Novo

O tempo é uma coisa muito louca, não é? Por que completamos um ano? Quem dividiu o tempo? Por que segundos, minutos e horas definem nossas vidas?

São perguntas importantes que levariam mais uns 3 posts para pensarmos no assunto. Mas hoje não importa, pois estamos muito próximos de 2015. Pode ser clichê, mas horas foram segundos em 2014, um ano de muita luta, muita dor, mas muita honra, vitórias e aprendizado, principalmente aprendizado. É isso que temos que carregar para o ano que vem, porque bens materiais e conquistas egoístas não nos levam a lugar nenhum, apenas o que ensinamos e aprendemos ficam para eternidade.

Aquele que ensina, de certa forma, é um mestre e, como o ano que passou nos ensinou muito, só existe um modo de agradecer Cronus, superando-o, apenas dessa forma o deixaremos orgulhoso. Essa é a súplica da Surreal para seus leitores em 2015:

Supere a você mesmo e, principalmente, supere 2014. Mantenha a evolução.

E assim falou o Surreal.