O Poder do Retrato – “Strong is the new Pretty”

A Fotógrafa americana Kate T. Parker, realiza ensaios incríveis retratando a Infância de suas próprias filhas, sobrinhas, sobrinhos e amigos. Na série “Strong is the New Pretty” (“Forte’ é o novo ‘bonitinha'”, em tradução livre), Parker contrapõe justamente os padrões impostos sobre a feminilidade, aparência e comportamento considerados “ideais” (muitas áspas) na infância.

A fotógrafa utiliza a técnica de ambientação do retratado, para mostrar todas as características naturais do desenvolvimento de uma criança. Tanto a alegria, quanto a frustração.

As imperfeições, o espírito de aventura, a necessidade de explorar, conhecer e descobrir o mundo que as cerca, se sujar, suar, se descabelar, rolar na grama, subir em árvores, ralar os joelhos, entre tantas outras… Dessa forma, Kate, cria imagens que transmitem o empoderamento de suas filhas sobre si próprias, e da imagem da “menina” na sociedade.

O retrato é uma das modalidades mais profundas e interessantes da fotografia. Possuímos, até biologicamente, uma predisposição à empatia. O ser humano está constantemente se procurando no outro e trocando emoções apenas no olhar ou nas expressões de nossos semelhantes.

É por isso que nos expomos tanto  aos padrões estéticos da moda, ou procuramos por um manual que impõe um padrão de status social e até emocional ao qual buscamos desesperadamente nos encaixar.

A fotografia entra aqui como uma ferramenta, inerentemente neutra, mas que pode ser aplicada da forma que o fotógrafo quiser, e por anos vimos a publicidade comandar a lógica mercado com padrões muito bem definidos sobre o que é ser bem sucedido, o que é beleza e o que é felicidade, além de fórmulas miraculosas para vender esses conceitos. Como vivemos em uma sociedade profundamente machista, constantemente impomos e enraizamos nossos padrões de beleza ideal para cada mulher à nossa volta. Mãe, tem que agir e se assemelhar a um ideal pré determinado de Mãe. Menina tem que ser e parecer menina. Moça de bem, tem que ser e parecer moça de bem. Vadia tem que ser e parecer vadia. Dona de casa, tem que ser e parecer dona de casa, (“e ai do menino que ouse se assemelhar a uma menina”)  e assim categorizamos o feminino pautado pelo que nós, homens, escolhemos.

Clique na Imagem para ler a entrevista com o Psiquiatra Dr. Phillip Brock sobre os danos e consequências dos concursos de beleza para crianças.

Como se isso no mundo adulto já não fosse absurdo e estúpido o suficiente, tais padrões passaram a ser impostos sobre o mundo infantil… Surgiram os Concursos de “Beleza” Infantis. Uma bizarrice.

Há algum tempo a fotografia tomou consciência sobre esse poder que exerce sobre a sociedade, e muitos fotógrafos decidiram se contrapor às convenções sociais pré estabelecidas. Estes artistas foram buscar retratar o ser humano como ele realmente é, cheio de falhas, errado e diverso!

Felizmente, este novo conceito chegou também ao retrato da infância mostrando crianças como… crianças!

 

 

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