A Criança Síria

Nos deparamos mais uma vez com a fotografia desempenhando um papel muito além do simples registro. Nesta semana, uma fotografia rodou a internet, foi publicada nos mais diversos veículos de comunicação, comoveu cada um que a viu e levantou o debate sobre  questões importantes e necessárias.

Crianças vão constantemente refletir o mundo que às cercam de forma fiel e pouco distorcida. Quando num ambiente feliz, próspero, equilibrado, seguro e fértil, a tendência é que o entorno transpareça sobre seu comportamento.

E quando nasce em um estado em Guerra?

Osman Sağırlı – Publicado em BBC Brasil (clique na imagem para acessar a matéria)

A foto acima, foi publicada no Twitter da jornalista e fotógrafa Nadia AbuShaban no início da semana passada e quase que instantaneamente tornou-se um viral, sendo compartilhada e divulgada por jornais, revistas e em todas as redes sociais. Nadia, afirmava que não conhecia a origem do registro e que apenas havia encontrado e compartilhado. A polêmica gerou até mesmo a desconfiança sobre a veracidade da foto e da história que a acompanhava.

A fotografia foi então rastreada até o Site Turco de notícias ,Türkye, e ao seu autor. Assim, confirmou-se então o relato atribuído à cena. O fotógrafo Turco, Osman Sağırlı, registrava a vida dos refugiados da guerra em meados de 2012 quando realizou o registro acima, utilizando uma tele-objetiva.

Como relata Osman, a garota Hudea, de 4 anos, imediatamente ao notar o equipamento apontado para ela, levantou os braços e franziu o rosto aparentemente aterrorizada. Somente após realizar o registro, Osman se deu conta do que havia acontecido. Hudea, havia confundido o equipamento do fotógrafo com uma arma e então, se rendeu.

Coincidência

Neste final de semana, minha namorada e eu assistimos a um filme chamado “A Boa Mentira” (The Good Lie) que conta a história do último grupo de refugiados da guerra civil do Sudão a serem aceitos pelo Governo Americano no país antes dos ataques de 11 de Setembro de 2001, quando as portas do país se fecharam.

“Essas pessoas foram obrigadas a fazer escolhas que ninguém deveria fazer”. A frase dita no filme, define bem a situação de refugiados de guerra e se aplica perfeitamente ao registro da garota Hudea. Aos 4 anos de idade, ela já reconhece e convive mais com um fuzil que uma câmera fotográfica, e sabe que sua única chance de sobrevivência é se render e implorar pela própria vida.

Uma criança exposta à violência, ao medo, à vida constantemente ameaçada num ambiente de escassez e privada de todos seus direitos humanos primordiais, também vai reproduzir tudo aquilo que fez parte de sua infância.

Sendo assim, se nos comovemos com a história de Hudea, por que não nos comovemos com a história das nossas crianças?

Mais informações:

Brasil Post – Cerca de 230 milhões de crianças vivem em países e áreas de conflitos armados, segundo a ONU

BBC Brasil – Síria tem 5,6 milhões de crianças em risco humanitário

R7 – Infância despedaçada: crianças perdem a inocência diante da violência em zonas de guerra

Brasil Post – Redução da maioridade: o que nos diz o futuro?

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