Além da Pauta – Último Capítulo

Realmente estava. Sabia muito bem que era impossível chamar reforços, Karina não era regra na corporação, muitos policiais aceitavam propinas para fazer vista grossa para alguns figurões, fazer vista grossa é pouco, muitos aceitavam trabalhar para esses malditos. A detetive tinha apenas um objetivo na vida. Ferrar com todos eles. Mas não adiantava prender os peões, só ia expor sua maior estratégia, Karina passou o tempo todo lá se escondendo, fingindo não estar nem aí para esses cretinos, só pesquisando, investigando para encontrar quem era o cabeça, só para poder corta-la fora. Tire o braço e a cabeça se adapta, tire a cabeça e o corpo cai. O Senador estava ali, parado, seu sorriso tinha o sadismo do Coringa. Fitava a mulher como um tigre que observa sua presa, calmo, quase passivo, ele sabia quando deveria ser cruel, não é a toa que chegou onde chegou. – Cadê a bolsa dela, Zé? – Toma, senador. O Senador toma a bolsa da mão de Zé e vira o objeto de ponta cabeça, maquiagens, celular, um pacote de absorvente, tudo esta no chão,mas o político não se dá por satisfeito. – Eu, sei que você, não ia deixar em outro lugar que não fosse com você, cadê meu dossiê? cadê o pen drive? – Já procurou na roupa dela, Zé? – Não senhor. O senhor mandou não toca na dona, falou que se ela não aceitasse era para trazer pro senhor em bom estado de uso. Os olhos de Karina eram só desespero, ela sabia do que estavam falando e nada podia fazer, estava amarrada e era morte certa se reagisse. A sua única esperança é o rastreador que Luiz  colocou na bolsa dela. Sim, ela sabia e escondeu mais um item no mesmo lugar que ele colocou o gps… aquela costura tinha enganado o Senador até agora, mas ela estava em dúvida, talvez fosse melhor entregar o dossiê para ele e se livrar de ser abusada por aquele urubu. – Muito bem, leva ela lá para baixo, deixa ela amarada me esperando, vai ver ela lembra onde esta o que procuro. – Mas você nem perguntou, por que quer fazer isso? – Eu sei que não vai me contar, então vou procurar em cada centímetro de você. – Eu te falo, não por favor, eu te falo…. – Jura? Hmm então me diga, aonde escondeu meu dossiê? – Com o jornalista, eu sabia que você ia pensar que estaria comigo, eu deixei no porta-luva do carro dele. – E como vou acreditar em você? – É a verdade, pelamordedeus…- Karina tinha lagrimas nos olhos, uma atriz perfeita. – E a onde está o carro?- O senador fala como um monge e age como um assassino, estuprador. – Não sei, mas você pode achar, com certeza… – – Que bom que sabe- Ele olha para o lado- Zé leva ela pro quartinho mesmo assim, essa emoção toda em deixou com tesão…- Zé a levanta de forma abrupta- E depois rastreia o jornalista. Karina fechou os olhos, desejava morrer… por dois momentos tentou prender a respiração e desmaiar, como sabia, era impossível. Zé a conduzia sem nenhuma delicadeza a uma masmorra. Como ele sussurrou no ouvido dela, ninguém ouviria o choramingar de uma cadela ali, a não ser ele, que faria questão de olhar no olho dela o tempo todo. O quarto não era um lugar feio, era branco como um dormitório qualquer, no canto havia uma cômoda com algumas gavetas e do outro lado uma cama. Com certeza ela não era a primeira a ser levada para lá, senão não haveria a cama. Karina só tentava manter a calma, agora de olhos abertos olhava para todo canto em busca de um ponto de fuga… totalmente presa, sem chance, precisava deixar rolar, ia fazer algo. Só não sabia o que. Zé jogou a mulher na cama e desamarrou suas mãos, continuou a segurar a moça com força, Karina até se debateu mas não adiantou. Amarrou a mão dela na cama e com muito esforço tirou sua calça e se despediu com um… – Já volto meu amor, não sai daí. E fechou a porta de ferro. Luiz. As casas começaram a ficarem maiores conforme ele se aproximava do bairro, ela sabia que aquele era o melhor momento para parar carro e ligar para o Julio e conseguir mais informações. – Fala, Boss… Aqui ainda não parou de dar sinal. – Eu sei, mas ela parou de andar né? – Parou… -Sabe o endereço? Porque acho que ela esta em uma casa. – O endereço exato eu não sei, mas a casa é essa, tô te mandando a foto no celular. – Ok, me avisa qualquer coisa, se ela se mexer. – Pode deixar, recebeu? – Recebi. Luiz pegou o celular e viu a visão aérea da mansão, aquilo parecia um palácio e mesmo que chegasse lá seria muito difícil achar a mulher, tinha certeza que pelo menos uns seis quartos a casa tinha e ele não podia errar, não tinha tempo para isso. Seu carro continuava veloz, mas o motorista olhava a calçada em busca da fachada, quase bateu diversas vezes, mas não ligou, apenas seguiu em frente confiando em seu instinto como um animal, um predador. Era assim que ele se sentia, a adrenalina e o ódio que sentia naquele momento faziam ele se sentir forte… capaz de matar e faria isso se fosse necessário, sem dó. Não existia mais aquele jornalista, existia um homem que deseja salvar uma mulher… sua mulher se ela aceitasse. Quando isso acontece, quando alguém mexe com o amor de um homem, nada pode o parar, depois o peso na consciência, agora ele só pensava em eficiência. Ele parou o carro com uma freada brusca, achou a casa, no alto de um morro, para baixo uma ladeira imensa. Reparou que logo na porta havia dois seguranças. Não se impressionou com a pouca quantidade de homens, é um bairro de rico, trazer o exercito para cá só despertaria curiosidade. – Me livro de vocês dois, depois só vai faltar o Capanga e o Senador. No máximo mais um segurança ou funcionário, mas para fazer omelete, a gente tem que quebrar alguns ovos. Farei isso, aguenta Karina! Com uma ideia fixa na cabeça, ele desceu do carro e viu descer lentamente a ladeira. Correu para o outro lado da rua e se escondeu atrás de uma árvore cercada por pedras brancas. Quando tentou entrar nesse cercado pisou em uma que escorregou, ele a pegou- Pode ser útil- Escondido ouviu o som que tanto esperava. Uma explosão e a orquestra de alarmes que dispararam. Os seguranças da casa entraram em alerta, um deles correu para o portão, abriu e os carros batidos foram a última coisa que viu antes dos três dolorosos impactos em sua nuca.  O outro que havia ficado um pouco para trás tentou reagir, mas antes que pudesse tirar sua arma do coldre na cintura, ele tomou um tiro na perna, caído ele sabia o que ia acontecer, aquele cara não estava para paz, aquilo não era um assalto, aquilo era um resgate. O jornalista parecia um gigante para o segurança caído sangrando, o jornalista apenas se aproximou e disse: – Ela está aí? Se falar rápido, eu te machuco menos… Aquele tom de ameaça nunca havia saído da boca do jornalista, mas ele parecia que estava com o demônio no corpo.  O homem de terno apenas balançou a cabeça e sentiu o pesado toque da pedra em seu ouvido… depois o formigar no corpo e dormiu, talvez para sempre. Zé do mato. – Senador, a moça tá no ponto. – Certo, estou descendo. Se ouviu o barulho? – Ouvi sim. Acho que algum filho de madame soltou bomba na rua. – É deve ser. Já vou descendo. Pega o notebook, fica aqui na sala, descobre onde o fofoquinha se esconde. Só me chame quando descobrir e não bata na porta… entre. Ela vai adorar te ver. – Se prefere assim, certo. Zé observa o Senador entrar na cozinha, logo ele ia ouvir pelo menos um gemido, adorava isso. Levantou e foi até uma mesa de centro, onde estava o computador. Naquela momento, teve uma pequena lembrança dele criança aprendendo a usar aquilo, o senador paciente ensinando passo a passo… ele era um privilegiado entre os que foram escravos e devia ao isso senador, que deixou ele ser livre. Abriu o notebook e começou a digitar, concentrado em seu trabalho, não ouviu a porta lentamente abrir.  Conseguiu, o rastreador que estava no Peter respondeu onde o jornalistazinho estava. – Te peguei, de novo. Ele coloca o notebook de lado e se levanta para tirar o celular do bolso. Não tão adaptado com a tecnologia assim, começa a andar enquanto digita o número. Luiz. Ele esta ali é só eu pegar ele pelas costas. Senador. – Olá detetive- Ele disse enquanto tirava suas calças- Seu prêmio por ser uma boa garota chegou, olha aqui! Zé do Mato – O carro esta na Av…. quem foi o idiota que deixou a porta aberta? Luiz. – Você já era, desgraçado. Karina – Me solta, daqui seu porco, seu sujo… Senador. – Você vai gostar, talvez não no começo, mas depois vai gemer gostoso. Zé do Mato – Puta que o Pa… E caiu, totalmente tonto. Não sabia o que tinha atingido ele, não conseguia focar em nada até que… Luiz. – Esta vendo isso aqui? É a sua arma- E a guardou na cintura- Esta vendo isso aqui? É a arma que estava com o corpo estirado no jardim. Então, esse é um bom momento para me falar aonde esta a mulher. Porque eu estou louco para te matar. Karina. – Sai seu nojento, me deixa em paz.- Chutando o homem gorducho que se aproximava sem calça. Senador. – Ai. Vadia! Meu saco. aí aí.. Devia ter mandado prender essas pernas.- Ele se afastou, precisava pegar um ar, aquela tinha doído. O que tornou tudo mais legal. Zé do Mato. – Atira seu bosta, eu não vou falar nada. Não vou entregar o senador, prefiro morrer. Luiz e Zé do Mato. – E você vai.- Ele levantou o homem que só conseguia cambalear, como um bêbado.- Mas antes, porque não ir comigo até a cozinha?- Luiz era um animal, naquela hora tanto fazia matar ou não o desgraçado. Aquele poder estava fazendo Luiz delirar de emoção, em alguns momentos até esquecia o objetivo, só queria machucar o capanga, que já aprontou muitas com ele. Naquele momento ele conheceu o poder de ter uma vida em suas mãos e nunca mais esqueceu. Mais uma pedrada, Luiz adorou usar aquilo, precisava evitar que Zé recobrasse os eixos. Entrando na cozinha com o homem tonto sendo empurrado, ele abriu uma gaveta e depois outra e outra e na quarta achou o que estava procurando. – Gostei disso aqui. É uma faca? Hmm uma peixeira, né Zé? Olhou para o corpo do moribundo apoiado na parede. Não sentiu dó nenhuma, a adrenalina era seu motor, o ódio a gasolina e a vontade de salvar Karina seu objetivo. – A_onde, es_tá a mulher?- Falou enquanto um pequeno corte na mão do capataz, talvez não tão pequeno. – Não vou Fa ahhhhhhhhhhh Para para para! AHHHHHHHHH – Não entendi Zé, oque?

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