Além da Pauta VII

Karina.

A detetive volta para o banho, não há nada que possa fazer. Sua cabeça está viajando por todos os pensamentos possíveis, em parte deles ela é sequestrada e assassinada pessoalmente pelo capanga do senador, em outros ela prende o capanga e o senador e ainda é promovida.  A água ajuda a se acalmar, Karina se entrega a corrente forte da ducha e deixa as coisas passarem um pouco. Decidir se vai sozinha agora ou daqui a 5 minutos, quando sair do banho não vai mudar o fato de que esta ferrada. O capanga não da ponto sem nó e com certeza, ela estava indo para uma cilada.

Com muita sorte ele a ameaçaria e iria embora. Com muita muita sorte ele deixaria escapar algo e ela estaria lá pronta, para se aproveitar de uma escorregada sequer com seu  microgravador em formato de botão de camisa.  Com muito azar ele a sequestraria e faria uma troca com os superiores, o fim das investigações pela detetive. Com muito muito azar ela seria assassinada com um tiro nas costas e se tornaria estatística nas mãos daquele maldito. Enfim, era hora de sair do banho e Karina já sabia o que ia fazer.

A mulher enrolada na toalha vai para o quarto, coloca uma camiseta regata branca, uma calça confortável e vai para a sala e encontra com o jornalista distraído zappeando a televisão.

– Luiz, recebi uma ligação do Zé Mato- Ela tenta fingir calma, falando como se tivesse recebido uma ligação de sua avó.

– Como é que é? De quem?  Ta falando sério? – Luiz, por sua vez, nem tenta disfarçar nada. Ele tem total noção do perigo que aquele telefonema representa, afinal ele não esqueceu a surra que levou.

– Você entendeu, não preciso repetir! Ele quer me ver amanhã, no Xingu às 17 horas. Sozinha, óbvio.

Luiz baixou o tom, sabia que a detetive não iria deixar de ir e apenas perguntou:

– Qual é o plano, vai levar uma equipe de policiais com você? Não esta pensando em realmente ir lá sozinha, né?

– Se eu levar uma equipe de policiais e não arranjar nada, é tempo perdido além de chamar muita atenção. Agora se eu for sozinha posso conseguir as provas que preciso para prender esse maldito por um bilhão de motivos.  O arrombamento da sua casa, vai ser ficha perto da “ficha” dele.

– Nem Fo… Você vai sozinha, ta usando o que mulher? Você ta pedindo para ser sequestrada, assassinada, sei lá. Ta pedindo para morrer Karina… Se você se arriscar e for pega, ninguém nunca vai prender o Zé do Mato, muito menos o senador.  E por mais que eu queira ajudar, minhas investigações, pouco servirão se uma policial não for com a algema e pegar os caras.

– Eu sei por disso, acha que eu sou idiota? Acha que eu não sei medir os riscos? Em 5 minutos de banho, pensei em toda a lenga que voce ta falando aqui. Apenas me escuta por um minuto, eu tenho um plano.

—- No dia seguinte—–

Luiz.

A experiência já havia feito o jornalista aprender a andar disfarçado, não era mais um problema para ele, se maquiar e em uma ou duas horas de trabalho nem parecer o homem que agora se olhava no espelho. Ele estava nervoso, o plano da detetive era suicídio, era loucura. Todas as tentativas de refuta-lo ou mesmo de criar outro foram rechaçadas ou simplesmente ignoradas, ele foi obrigado a aceitar, já estava nessa até o pescoço e queria ver, mais do que o próprio senador, o Zé Mato preso.

No horário combinado Luiz estaciona o carro do outro lado da rua do bar, um pouco para tras da entrada mas com uma vista privilegiada. Agora só restava para ele, esperar no carro. E nem para ser o Peter, de acordo com a detetive ele ia “dar na cara”.

– 5 horas, o maldito ainda não chegou… Nem ela, o que ta acontecendo?- Luiz falou sozinho no carro, sendo hiperprotetor, porque até aquele momento não havia passado nem um minuto do horário combinado.

Às 17h5, Karina chega no bar com seu carrinho, deixa ele no vallet e procura uma cadeira para sentar. Por um misero segundo Luiz viu ela o procurar com o olhar, com certeza não achou, o jornalista estava invisível e se fosse visto seria irreconhecível. Ela achou uma mesa na calçada e pediu um guaraná, a mulher estava visivelmente ansiosa, Luiz, odiava esse plano exatamente por isso, porque ele colocava ela exatamente onde Zé Mato queria… Falando em Zé Mato.

O bandido aparece na esquina, aparentemente sem carro, mancando da perna esquerda.

– Esse jeito de andar não é o dele, algo machucou a perna dele, o que ta acontecendo?

O capanga visualiza a mulher e coloca um meio sorriso na boca, Luiz já imagina as atrocidades que ele estava pensando. Tentando focar na sua parte ele saca sua camera e começa seu trabalho. Uma, duas ele sentando na mesa da mulher e educadamente tirando o chapéu. Essas fotos dariam um filme de tão seguidas que estavam, mas era o melhor modo de trabalhar, Luiz não ia perder nem um detalhe.

Karina.

– Olá Dona… – O som vinha de trás, aquela voz asquerosa, carregada com o se nada de bom pudesse vir daquela boca.- Posso sentar??-.

– Foi você que me trouxe aqui, senta e fala o que quer… Não tenho tempo para ficar de papo com bandido.

– Nervosinha, já disse que adoro amansar fera, você sabe né? Ainda te pego de jeito Dona, se vai ver ÔÔ se vou vai! E vai gostar! – Zé Mato ria muito com o  tom de desafio. Era exatamente o que ele queria.

– Vai se danar, seu sujo! Vai me passar a mensagem ou não?

– AÔ, se acalme gostosa, tome seu guarana. Aproveite o encontro gostoso que estamos tendo aqui. Bar bonito cheio de granfino. Tenho certeza que você gostou, foi o próprio chefe que escolheu esse lugar… Se não me engano, o bar é dele.

– Se você não tem nada a dizer, eu vou embora. – Karina pega sua bolsa e ameaça se levantar, tão rapido quanto um bote, Zé Mato segura seu braço e senta ela com força na cadeira.

– Você vai ficar e ouvir o que eu tenho para falar.- Karina tremia e olhava o capataz nos olhos, a adrenalina a mil dava muita coragem. – O senador quer fazer uma proposta, ele quer te dar 5 milhões de reais e uma promoção na PF em troca de que você tire umas férias e abandone um certo , trabalho.  Ele falou que se voce aceitasse, até deixava a piveta fujona para você criar.- Karina prestava a atenção em tudo, ela já gravara  e arranjou provas para incriminar o senador por obrigar o trabalho escravo. Mas não dava para virar as costas, aceitar a proposta ia dar na cara que ela tinha conseguido o que queria então respondeu:

– Manda ele por o burro na sombra, não vou parar e logo ele vai ver o sol nascer quadrado.- Desafia a detetive, até agora, tudo nos planos.

Surpreendentemente, Zé Mato ri da resposta pega seu celular e liga para seu patrão.

– Chefe, ele fez exatamente o que pensei que faria… Pode fazer o que o patrão mandou?…

– FAÇA!  A voz metálica respondeu. – Ele desliga o telefone e se vira para a mulher. – Olha Dona, eu tentei, mas você não colabora, eu tenho uma arma debaixo da mesa, ela ta apontada para o meio das suas pernas, se você não quiser tomar um tiro, vai agir conforme eu falo. Primeiro: Abre a bolsa e me mostra o que tem… sei que você não anda armada mas é bom conferir… Segundo: – O capanga pega o copo de guaraná da mesa e ataca o liquido na camisa da Detetive. – Se tinha um gravador aí, já era e agora você vai vir comigo. Vamos dar um passeio, bem divertido, Gostosa, se vai gostar, eu prometo.

LUIZ

– Caraiii… O que foi isso? Ele tacou guaraná nela? Filho da mãe, zuou o gravador.-  Do carro Luiz apenas observa a detetive abrindo a bolsa e mostrando para o bandido, ele observa com calma, mas ódio no olhar. Depois, os dois levantam e ele sai com ela, sem pagar a conta nem nada, pelo braço.  Karina, sabia o que ia acontecer, já havia avisado Luiz. O gravador já era, mas o GPS, estava bem mais escondido.

Quase em desespero Luiz pega o celular e liga para o Gabriel:

– Tudo conforme o plano, começa a rastrear!

– Chá comigo, do meu olho ela não escapa.

– Espero, de verdade, senão… A gente só vai encontrar ela morta. Confio em você e, ela também! Fala Luiz, ao telefone.

– Não vou decepcionar- E desliga o telefone.

 

 

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