Além da Pauta VI

– A outra é do Zé Mato!  Esse cara precisa aprender a usar luvas! Disse ao telefone, Gabriel, inconformado com a quase pretensão do capataz em não se encobrir.

– Ele não precisa se esconder, ele trabalha para o dono do mundo! Talvez ele queira até aparecer, mostrar que tá sabendo de algo. Eu só não sei até onde ele sabe. – Respondeu Karina.

– Faz sentido. Hmm precisa de mim para mais alguma coisa? – Gabriel.

– Não, não preciso. Muito obrigado pela ajuda.

– Conte comigo, querida. A gente pega ele, tem deixado muitas provas, um dia a gente pega ele. Tchau. – Gabriel desliga o telefone.

– Eu quero ele agora, eu quero esse desgraçado de colarinho branco e o filhote de rinoceronte dele A…

– Karina? – A voz cheia de sono de Luiz envolve o ambiente. Durante a ligação, a policial havia esquecido de seu hóspede e agora olhava para ele. Ele não era mais um jovem,  mas não era um cara velho também, seu físico ainda estava bem “em cima”, reparou a detetive enquanto observava o jornalista só de shorts.

– A desculpe Luiz- Ela larga o telefone –  só estou irritada, você entende, né?  Esse trabalho ainda vai me matar de estresse.

– Se for de nervosismo ainda tá bom! – Responde Luiz meio sarcástico – E aí, qual o resultado das investigações? O policial conseguiu algo?

– Você não imagina o quanto amo suas piadas. – Responde Karina, bem irritada – Mas saíram os resultados, foram encontradas duas digitais diferentes em sua casa. Uma, obviamente, é tua. Mas a outra é do Zé Mato, que você já conhece bem.

– Eu sabia, aquele filho de uma…, ele vai me pagar. Ele vai ter o que merece! Aquele acéfalo deixou provas  e juro pela minha amada profissão que eu vou meter aquele maluco na cadeia. – Eu juro que vou me vingar de tudo o que ele fez com minha vida. Você, mulher, se conseguir pegá-lo antes de mim, aplique a lei, porque se eu chegar antes… Não vai sobrar muito para o judiciário.

– Hey machão, se acalma…  Devo lembrar o motivo que você está aqui? Na minha casa? Ou você é esperto o bastante para se manter fora de encrenca para não ferrar com tudo?

Luiz ficou quieto, ele sabia muito bem que só estava lá porque se tivesse ficado no ap, essa hora podia estar bem morto. O senador era um intocável e sua cria, por achar que era querido pelo senador, também achava que era o Cara. Coitado dele, não vale nada. Luiz sabe que os chefes entregam esses caras aos crocodilos para se livrarem.  É quase o normal… Apesar que ela nunca tinha lidado com isso, afinal, deu tudo errado para ele.

– Eu sei o porque tô aqui, mas ficar parado não vai adiantar, precisamos pegar esse cara, não temos provas suficientes? O sangue, as digitais, nada disso importa? – Indagou Luiz, quase desesperado pela resposta.

– Em um caso “normal” sim, mas com as costas largas que ele tem é impossível reunir provas o bastante. Para irmos ao tribunal, temos que lutar  e chegar lá munidos.

–  Não dar opção para eles pode ser uma boa ideia e me permite acertar umas contas….

– Enfim, vamos tentar relaxar um pouco… Quer café? – Karina oferece para o jornalista.

– Eu aceito, espero que faça direito. Você sabe o relacionamento entre Jornalistas e o Café.

– Sei, vocês sempre mentem a favor de quem produz toneladas dele. Luiz se ofendeu com a piada, mas preferiu deixar quieto e seu último pensamento antes do energizante e delicioso café foi:- Estamos quites.

Enquanto tomam café, os dois batem um papo ameno evitando ao máximo tocar no assunto que justifica a presença da “parceria” deles. Às vezes quando se está em um beco, como eles estão, cheio de provas mas nenhum poder de ataque, o melhor é relaxar a mente. Luiz sabia o que era isso, achou que por ser da mídia era o poder em pessoa, denunciou o senador uma vez e o resultado é a vida de bosta que ele tava levando, até que ela apareceu e deu um restart nas esperanças e ânimo do jornalista.

Como o planejado, o café fez bem para o jornalista, ele já estava pronto para outra e aproveitou o bom humor para pedir o telefone emprestado e falar com Julio para ver se houve algum avanço na pesquisa que ele pediu enquanto a detetive toma banho.

– E aí, Nerd. O que você tem para mim?

– Fala, Boss, Beleza?

– Tudo certo. E aí? – O jornalista insiste.

– Hmm. Uma pessoa normal, chefe, multas de trânsito, dívida pequena com o cartão de crédito, bem comum, exceto pela carreira. Ela entrou para a PM cedo, foi pouco para a rua, pouco mesmo, era responsável pela produção de relatórios, o que provavelmente deu tempo para ela estudar e virar Federal. Cuidado com isso viu, Boss. Os caras são grandes. – Relata o garoto, com o orgulho de mostrar que fez uma boa pesquisa, apesar dos decepcionantes resultados.

– Esperava algo especial… mas tá bom, fique ligado. Eu volto a ligar, ok? – Conclui Luiz.

– Beleza, deixa eu fazer uma pergunta? – Julio era a curiosidade em pessoa.

– 10 segundos- Responde o jornalista, meio mal humorado. Ele odiava responder perguntas diretas.

– Porque tá investigando a filha do Neto? – Vai entrar para a diretoria, é?

– Ohhh Nerd, olha o respeito aí moleque! Luiz respondeu extremamente irritado. – Na hora certa você vai saber.

– Se você diz, vou me manter alerta. Qualquer novidade te conto. Abraços Boss.  – E desligou.

Karina.

Antes de ir para o banho, Karina pegou sua bolsa, sem nenhum motivo aparente, apenas teve essa intuição de levar a bolsa para o banheiro e o fez. Antes tivesse não se ouvido,  porque o celular tocou.

– Caramba, nem no meio do banho eu tenho paz? – Xingando o celular que tocava insistentemente, obrigando a detetive a secar pelo menos as mãos e pegá-lo. Ao olhar para o visor, leu “chamada particular”, isso a arrepiou dos pés a cabeça, quem poderia ser?

– Alô?

– Alou, querida. Tudo bem? – A voz era totalmente desconhecida para ela.

– Quem é ? Com quem quer falar?

– Corre tanto atrás de mim e não reconhece minha voz. Já tive que enfrentar detetives melhores….

Mais uma vez aquele arrepio, agora ela já sabia quem era, apenas três homens teriam coragem de falar daquele jeito com ela, um estava na sala de sua casa, o outro no senado e o terceiro… aquele desgraçado do Zé Mato podia estar em qualquer lugar.

– Eu, vou te pegar, você sabe disso. – Respondeu fingindo confiança.

– Hmm, adoro quando me agarram, mulheres fortes… Delícia, ainda vou te domar.

– Seu filho de uma … O que você quer?

– Passar uma mensagem. Mas não vai ser por telefone, não. Você pode tá me gravando. Me encontra na Bar Xingu, às 17 horas, amanhã. Vá sozinha, deixe o palhaço em qualquer lugar.

– E o que assegura que você não vai me matar, sequestrar ou qualquer coisa para se safar?

– NADA! – e desligou o telefone.

 

 

 

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