Além da Pauta V

A casa estava totalmente bagunçada. O sofá rasgado a facadas, a tv jogada em um canto que não era o dela e o barzinho, que Luiz tanto adorava, agora não passa de um monte de madeira. O cheiro de álcool das garrafas de Whisky é muito forte e dá mais raiva a Luiz. Ele atravessa a sala, passo a passo, com medo de quem quer que seja que tenha feito aquela bagunça continuasse lá, alcança um interruptor e nada, cortaram a energia. – Tem alguém aí? – ele ri dele mesmo – como se a pessoa fosse responder.

Quando Luiz chega a sua cozinha é que vê a coisa feia. Todas a gavetas abertas e jogadas no chão. Foi lá que se tocou, não faltava nada na casa, não eram ladrões, alguém já sabia da investigação e deve ter procurado algo por lá.

Luiz pega o telefone e procura um número na agenda – Neto, é o Luiz!
A voz do outro lado responde – Sei, qui é?

-Preciso do telefone da sua filha, invadiram meu apartamento e fizeram uma puta bagunça.

– Caralho! E você tá bem?

– Tô. A casa tá vazia! Só me passa o telefone agora?

– 98948816! Só não mete ela em enrascada! Pelamor de Deus!

– Ela é a enrascada, Neto, ela é o problema – diz Luiz antes de desligar.

O jornalista continua a andar pelo apartamento. Ao chegar em seu quarto repara que até seu colchão foi destruído, ou seja, não vieram para brincadeiras.- Filhas da puta, levaram meu dinheiro – gritou o jornalista quando percebeu que toda a grana guardada escondida em uma caixinha tinha sido roubada. Ele senta no que sobrou do sofá e liga para a Policial.

– Karina, é o Luiz.

– Luiz? Como conseguiu meu telefone?

– Seu pai, mas não é isso que importa agora! Invadiram minha casa, tá tudo destruído.

A voz do outro lado do telefone ficou muda… Nada se ouvia.

– Karina, você está aí?

Mais dois segundos de silêncio e… – Tô indo para sua casa, chego em 10 minutos. Eu sei o endereço e não mexa em nada, vamos tentar arrancar alguma pista da intenção dos bandidos, vamos descobrir se fizeram isso para te assaltar ou para …. Te vigiar e assustar – e desligou na cara do jornalista.

– E eles conseguiram, conseguiram me deixar muito, mas muito irritado. – O jornalista fala para o telefone ocupado.

Karina

A policial, já dentro do seu carro, um 500 da Fiat, liga para um policial amigo dela.

– Tô precisando de ajuda, invadiram a casa de um amigo e preciso saber quem foi! 

Uma voz calma do outro lado responde:

– Saio em 5 minutos, manda o endereço por whats.

– Ok, nos vemos por lá. Beijos e… obrigada.

– Fica tranquila, tamo por aqui. A gente se vê lá.

O motor estava quase estourando e Karina não parava de pisar fundo. A adrenalina causada pela ligação ainda fazia efeito, deixando sua mente e seu corpo em busca de algo que ela não sabia bem o que era, mas iria mostrar quem invadiu a casa. Mas não só isso, lá poderia estar a prova que entregaria o policial infiltrado que estava passando informações para o senador e sua corja.

Assim que ela chegou na casa do Luiz, arranjou uma vaga e esperou. Uma policial tinha que ser de gelo, não toda aquela loucura que ela estava sentindo.

– Hora de se acalmar Karina, você é uma policial.- Nem dois minutos depois que ela chegou, já pode ver o carro do seu amigo. Karina sinaliza com um farol alto e ele para ao lado do carro dela.

– É nesse prédio?

– Sim, aqui mesmo, vamos entrar e ver quem é o dono da festa.

– Beleza, vamo lá.- O homem de cabelos grisalhos responde com seriedade, mas muito carinho na voz.

Karina vai até a porta do prédio e aperta o interfone.

– Gostaria de falar com o Luiz.

– AHH, Karina? O Luiz avisou que viria. Pode entrar, você sabe aonde é?

– Sei, boa noite.

Luiz

Ainda observando aquela maldita bagunça, Luiz só se perguntava:

– O que eles estavam procurando? Todo mundo sabe que eu não guardo nenhum documento aqui e o que escrevo vai para o Neto. Nada fica comigo. Só alguém bem desinformado ou desesperado correria o risco de vir aqui e ser descoberto. Só alguém que sabia que estava em peri… Zé Mato, seu maldito! Se eu descobrir que foi você…ahhh você vai ver.

– Falando sozinho Luiz? O jornalista olha para a porta do quarto e a vê, armada e pronta para qualquer coisa, ao seu lado, um homem grisalho carregando uma bolsa que estava aparentava ser pesada.

– Então você também invade casas? Poderia avisar para o próximo pegar a senha para me ferrar?

Ela apenas sorri e fala algo no ouvido do grisalho que abre a mochila e começa a se preparar para o trabalho.

– Esse é Gabriel, o melhor da minha divisão em descobrir roubos em domicílios. Dizem que ele tem olho clínico para digitais, vai ajudar a gente por hoje.

Ela para de falar por um segundo e depois completa.

– Você dorme em casa hoje, lá estará seguro. – Antes que Luiz falasse qualquer coisa, pegou a luz negra do Gabriel e começou a ajudá-lo no trabalho.

Os policiais fizeram o precisavam, coletaram material e amostras de tudo que consideraram importante e foram embora. Luiz ficou por último e fechou a porta do apartamento com 2 voltas, mesmo não valendo a pena, afinal, não restava quase nada para ser roubado.

Ao passar pela guarita, Junior não conseguiu se segurar e perguntou:

– Ou, Porteiro, alguém veio em casa, hoje?

Não senhor, ninguém passou por aqui, não!

Esse era o previsto, a pessoa sabia o que estava fazendo. Não ia deixar pistas bobas

Karina:

– Gabriel, acha que pra amanhã já consegue algumas respostas?

– Opa, pode deixar, não vai passar nada. Eu vou para casa. Beijos – Disse o grisalho.

– Beijos, espero sua ligação…

No dia seguinte, conforme o combinado, o telefone tocou.

– Alou, Gabriel, descobriu algo?

– Bom dia, Karina, tudo bem?

– Desculpe que mal educada que sou! Mas, e aí?

– Achamos duas impressões digitais na casa. Uma era do Luiz e a outra ….

To be continued…

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