Além da Pauta

É com imenso prazer que escrevo para vocês, meus caros amigos, essa bela história que receberá a cada semana um novo capítulo.

Espero que Luiz e suas eternas desventuras com o jornalismo mostrem para todos o que há ALÉM DA PAUTA, porque a verdade, meus caros, é surreal!

Então, sem mais e sem menos…. Tchan tchan tchan tchaaaan

A ColunaSurreal produções apresenta:

ALÉM DA PAUTA

Capítulo 1: Em branco

Ele abre a porta, tateia a parede até achar o interruptor, aperta, nada, pressiona, nada. A cidade está apagada – que se dane! – a noite o persegue para onde quer que vá. Fecha a porta e vira-se para o apartamento, é óbvio que ela não está mais aqui. Há tempos ela não vem mais aqui… Caminha tocando a parede até a porta do corredor, observa a cozinha – por que me abandonou, o que eu fiz?!

Cambaleante, ele entra no cômodo, dois passos para dentro e tromba na mesa. O som do ferro arrastado no chão o faz xingar… Alcança a pia. Pela janela, observa a lua iluminando o céu e a ponta daqueles que o aranha. – São Paulo é o inferno. – Ele se desencanta, levanta a mão, toca os armários que estão em cima da pia. Uma, duas, três portas. Dois passos para trás e lá está ela: seu vulto dá água na boca, o veneno e o antídoto estão ali juntos. Ele agarra a garrafa, a apóia na mesa de ferro e volta para a pia, abre a terceira gaveta e pega uma vela, tirando o isqueiro do bolso, a acende. A vela ilumina a mesa, que agora mostra um monte de folhas quase todas rabiscadas. Ele abre a garrafa, vira boa parte do conteúdo, aquilo arde em sua garganta e por pouco ele não devolve tudo para a mesa. À luz de velas, termina a garrafa e, por lá mesmo, capota.

Triiim, triiim – Luiz acorda assustado, em uma poça de álcool, abre os olhos e em um salto bate com o braço na garrafa, quebrando-a na mesa. – Merda! – O sangue vaza lentamente pelas costas da mão. -Trim, triiim, triimm – ignorando a dor, ele atende o telefone demonstrando toda a felicidade de sua ressaca:

-Alô!

– Luiz, seu bêbado de merda! Acha que é o Jhony Deep? Cadê você? A Ísis Valverde estava no shopping comprando calcinhas… A merda da nota não vai se escrever sozinha! Vem para a redação já!

– Por que alguém quer saber disso? Eu sou um repórter investigativo!

– Você foi um repórter investigativo! Vem para cá agora se quiser ainda o emprego, senão mando um estagiário fazer isso.

Luiz engole seco. Depois de estar entre os melhores jornalistas do país, hoje, faz nota para o Famosíssimos. As contas também não se pagam sozinhas.

– Tô indo, Neto, tô indo. Chego aí em uma hora.

– 45 minutos.

– Vá se danar!

-Você precisa de mim, Luiz, não eu de você!

– Obrigado por lembrar.

-Sempre ao seu dispor!- Maldito! – Luiz fala para o telefone ocupado.

Era impossível saber, ele estava cumprindo seu trabalho. Ele estava na pauta, tudo certo, era O FURO, ia balançar a sociedade e, talvez até o mercado. Aquilo valia mais que um Prêmio Esso. Luiz investigou, corrigiu, seguiu o procedimento à risca. Se soubesse no que ia dar, se soubesse o quão na merda ele ficaria quando tudo começou…

To be continued…

 

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