O anjo

Dançando, subiu tão alto quanto o céu estrelado. Juro, ela estava flutuando sobre todos nós, meros e abismados mortais. Era um anjo que voava naquela lona, com seus cabelos ao vento, desafiava a gravidade. Em seu balançar, o anjo voa, entre rodopios e parafusos, ela escreve poesia com o corpo. Versos que não precisam ser escritos, versos que nem precisam ser lidos, versos que falam direto com o ser, que atravessam os olhos e tocam a alma.

O Lorde não seria tão sentimental, quanto àquela mulher que brincava com a morte, voava e sorria para o impossível, soltando-se sobre o ar que, assim como nós, apaixonado, nunca a deixaria cair. Ela sabe seu poder, aproveita-se dele e curte o som que o vento canta em seus ouvidos. Se pudesse, ele se tornaria nuvem só para ela deitar, mas não pode.

O solo sempre a desejou, mesmo desprezado, desejava seu peso, seu toque. Ciumento, aumenta a gravidade, puxa-a, mas é inútil. Os dois se exterminariam pelo seu amor, o mundo acabaria durante a batalha, mas o anjo da lona valia a pena se… a batalha já estivesse perdida. Só resta aos dois humilhados pela rejeição ver uma corda e uma madeira roubar-lhes o amor. Com inveja, irão vê-la agarrar-se ao abraço de sisal e ser conduzida a mais bela dança. Não existe flor que o solo possa criar e não importa a música que o vento cantar, ela sempre dançará com ele em seu ritmo eterno.

 

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