Inspirações – Mark Cohen e a Fotografia de Rua Intrusiva

A fotografia em sua forma artística é a arte da observação, e não é uma arte nova como já conversamos, lembra? Muitos já vieram antes de nós e muitos virão depois. Por isso, é fundamental para qualquer um que queira desenvolver seu olhar, que observe o que já existe, o que já foi feito, para que a partir daí se desenvolva o novo, o inédito, o pessoal e criativo. Por isso, de tempos em tempos eu quero apresentar as minhas referências. Os meus mestres pessoais que inspiram e direcionam meu olhar.

A forma mais acessível e ao mesmo tempo uma das mais complexas vertentes da fotografia é a Fotografia de Rua. É por onde muitos começam, mesmo que timidamente, e que se desenvolvem ao longo dos anos na técnica e nos conceitos. Nessa vertente, um dos grandes desafios é vencer o receio de sacar sua camera em público, mirar um total desconhecido e captar o momento. Hoje quero mostrar um dos mestres na arte de não se importar, Mark Cohen.

markcohen1Nascido em 1943, começou a fotografar aos 13 anos com uma câmera de brinquedo. Em 1966 abriu um estúdio fotográfico comercial. Foi reconhecido não por seu trabalho em estúdio, mas sim por seu trabalho nas ruas. Vou deixar os detalhes biográficos para o Wikipédia e me ater ao trabalho de Cohen.

maxresdefaultImagine-se andando tranquilamente pela rua, quando um completo desconhecido se aproxima, aponta uma camera e dispara o flash, capturando sua imagem e se afastando da mesma forma como se aproximou. Era assim que Cohen fotografava.

mark-cohen-005Suas imagens são criadas na fluidez das ruas, mas não são criações neutras. Ao se aproximar, Cohen cria um momento único de profundo estranhamento entre o artista e o fotografado. Ele se insere, aparece na imagem mesmo que sem ser visto. Você encontra o artista refletido nos olhares daquelas pessoas.

Mark CohenCohen encara o fotografado da mesma forma como o fotografado encara você. É uma troca atemporal de olhares. Você é transportado sem chance de se desvencilhar daquele momento, você interage com o fotografado da mesma forma como Cohen interagiu. Aqui encontramos uma das características da fotografia que mais me atraem e me intrigam: As consequências de se quebrar as regras.

ja_te_falei_mark_cohen (jumprope- blue sky gallery)Como técnica, a fotografia deve seguir uma série de regras e recomendações para ser realizada com perfeição. Mas é quando as regras são quebradas que as coisas ficam interessantes. O recorte do olhar de Cohen é estranho ao nosso olhar cotidiano. São recortes obcecados de detalhes que passariam totalmente despercebidos em nosso dia a dia.

ja_te_falei_mark_cohen (man flinching - blue sky gallery)Todos nós já nos pegamos andando por aí e reparando em qualquer detalhe do mundo e das pessoas a nossa volta que nos chamava a atenção. Escolhemos não nos aproximar, não interagir e muito menos registrar tais momentos, mas Cohen quebra essa bolha social, muitas vezes de forma desrespeitosa ou inapropriada, mas isso é inerente à arte, não? A coragem de ir além e fazer o que ninguém faria.

Abaixo, seguem alguns links para mais trabalhos de Mark Cohen:

The Guardian sobre Mark Cohen
Galeria Le Bal
Blue Sky Gallery
Artigo por eighteen39 – “I put the camera right into the picture” – Mark Cohen
Artigo por Erick Kim – 14 lessons Mark Cohen thought me about Street Photography

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8 comentários em “Inspirações – Mark Cohen e a Fotografia de Rua Intrusiva”

  1. Vi, adorei a parte “é fundamental para qualquer um que queira desenvolver seu olhar, que observe o que já existe, o que já foi feito, para que a partir daí se desenvolva o novo,” Parabéns bjo

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    1. Eram tempos muito diferentes! Tenho certeza que quase nenhuma das pessoas que foram fotografadas teve qualquer contato com a obra finalizada, ou sequer ficaram sabendo quando a obra foi publicada e ganhou fama!
      Cohen fazia suas caminhadas por cerca de 2 horas diariamente. E raramente revelava e publicava suas fotos. The Guardian calcula que ele tem cerca de 800.000 fotos nunca reveladas…
      Claro que tem seus riscos, como na obra “Man Flinching” onde o fotografado percebeu a ação de Cohen e tentou dar um soco nele! hahaha

      Mas com certeza, esse método nos dias atuais, com publicações quase instantâneas e com uma facilidade incrível de encontrar qualquer um nas redes sociais, renderia MUITOS processos!
      Como o próprio disse: “They’re not easy pictures. But I guess that’s why they’re mine.”

      Curtido por 1 pessoa

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