A Inspiração

Inspiração

Já são 3 da manhã. Em uma noite fria, sentei em frente ao caderno e lá te esperei. Escrevi a esmo um par de palavras, nem uma rima, nem um tema, nem roteiro, nem poesia. Simplesmente não havia nada…

Nem uma epifania, nem sequer uma ideia, como se o gélido vento dominasse e congelasse tudo por lá. Para onde foi meu carnaval? Minha falsa tristeza já não convence, minha felicidade nunca faz as histórias aparecerem no papel e eu aqui a me perguntar:

Para onde vão as palavras que não disse? Os textos que não escrevi? Como uma bala será que se perdeu e parou em alguém, será que alguém agora está escrevendo o que meu lápis se negou?

Levanto, vou até a janela observo 1 ou 230 carros na distante avenida, mesmo de noite vejo o cinza de nuvens carregadas. Aquele apartamento vazio começa a me dar uma solidão, cacete, só eu sei como a solidão é agonizante, desesperadora. Mas volto a olhar pela janela esperando que os carros lá longe amenizassem esse efeito, mania de metropolitano é  achar que fazer parte de algo significa não estar sozinho.

Sabemos o que é isolamento no pico de arranha-céus! Sento de novo em  frente ao caderno, leio coisas que já escrevi e invejo esses dias. Aonde guardava tudo isso, será que perdi a chave deste baú ?

Escrevo uma frase solta para ver se ela leva a outra e um raio invade a sala, no clarão jurei tê-la visto, mas sumiu em minha cabeça. Começo a enxergar coisas, deve ser o sono, outro raio! Não, não era sono, era ela. Um terceiro raio e ela está em cima da minha mesa, agachada, olhando-me nos olhos. Sua pele a deixa tão bela ente os raios! Aproxima-se, existe apenas a respiração de diferença entre nossos olhos, os lábios da filha de Zeus tocam os meus e a sensação energética atravessa cada milímetro de pele.

Ela vira de costas, desce da minha mesa, passa por trás da minha cadeira e beija meu pescoço. Próximo ao meu ouvido me conta um segredo, algo importante, eu viro de frente e a encaro, levanto. Ao som de raios e buzinas dançamos, dançamos como se o amanhã fosse hoje ou qualquer coisa nem importasse. Somente minhas cortinas serão  testemunhas de minha felicidade. A filha de Zeus me toca de novo e outro beijo ilumina o ambiente.

Sobre ela, apenas desejo que seja habitante e não visitante desse pobre apartamento decadente em limpeza. Peço para que fique para mais uma xícara de café ou para o resto da vida!  Desejo diariamente sua oportuna presença e participação. Ela mais uma vez beija meus lábios e, de volta aos raios, só me faz pensar: será que ela volta amanhã?

Inspiração caderno Surreal

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7 comentários em “A Inspiração”

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